domingo, 25 de fevereiro de 2018

O que é ser bom professor?

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Há professores para quem ensinar é mais do que simplesmente um emprego e uma dor de cabeça. Passar conhecimento é das melhores coisas que um ser humano deve fazer, e sei que há professores que o fazem com paixão. O professor deve ser uma pessoa que nos marca para a vida, nos abre portas e, de certa maneira, nos dá uma pista sobre o que é, eventualmente, o próprio sentido da vida.

Nuno Markl, radialista


Quando olho para trás e vejo o conjunto de professores que fez de mim muito daquilo que sou, tenho a noção de que gostei sempre mais daquele professor que, diante da criança rebelde, a tornava competente, sem lhe restringir a rebeldia. Tenho uma profunda admiração por quem lhe ensina as regras de aprendizagem social e é capaz de lhe transformar a desobediência em dissidência crítica. Gosto imenso daquele professor que, perante a matéria, não se preocupa em dá-la, mas sobretudo com que os alunos a recebam.

Laborinho Lúcio, magistrado e ex-ministro da Justiça


A professora de Francês Teresa Belo era uma mulher extraordinária, culta, com um espírito aberto e livre. Uma mulher que identificava e multiplicava os talentos dos alunos, e isso enchia-nos de confiança. Houve outro mestre, que não era professor: o meu treinador de basquetebol, Vítor Hugo, usou uma pedagogia extraordinária, não só para o desporto mas também para a vida - foi a primeira pessoa a dizer-me que talvez pudesse ser jornalista. Eu tinha só 16 anos e ele acertou. Estas pessoas que nos marcam, nos orientam, que olham para nós e vêem mais do que conseguimos ver sobre nós próprios, enchem-nos de confiança.

Laurinda Alves, cronista


Na primária, a professora Guilhermina foi o motor para tudo o que adviria. Na escola Secundária, a professora Rute Ramires, com quem ainda hoje mantenho contacto, foi uma presença constante na minha vida académica, muito atenta - um papel importante que os professores têm por serem mais próximos do que alguns familiares. Foram professoras que perceberam que eu era muito comunicativa, que queria fazer muita coisa e que me alertaram para eu não me dispersar.

Fernanda Serrano, actriz


No quarto ano, com a professora Eulália, lembro-me de acabar todas as aulas a cantar, algo que nunca tinha visto e que me marcou. Também as minhas três professoras de Educação Física da Escola Ramalho Ortigão me marcaram imenso pela forma paternal com que nos educavam. No contexto de bairros sociais, em que o apetite pelo estudo não era muito grande, elas conseguiram cativar turmas complexas, de forma carinhosa e ao mesmo tempo responsável e divertida.

João Vieira Pinto, ex-futebolista e dirigente federativo


A minha primeira referência é a professora da segunda à quarta classe, Gabriela Roldão, de quem sou hoje amigo...no facebook. Foi absolutamente estruturante, numa fase muito importante da minha vida, e da vida de todas as crianças - pois há muita coisa da personalidade das pessoas que se constrói nessa altura. Ela foi essencial, não só para os básicos, como ler, escrever e contar, mas também para o resto: a formação cívica, a passagem de valores, e é a isso que associo a nobreza da profissão de professor. É alguém que passa mais do que só a matéria.

Pedro Ribeiro, diretor da Rádio Comercial


depoimentos recolhidos por Sónia Calheiros e reproduzidos na Visão nº1303, de 22/02 a 28/02 de 2018, pp.70-71.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

Escrito nas estrelas


Pareceu-me daquelas previsões com tudo para vir a confirmar-se. A jornalista São José Almeida, do Público, anunciou ontem, no Expresso da meia-noite (Sic notícias), que a médio prazo Fernando Medina, representando uma ala mais centrista, ou da direita do PS, e Pedro Nuno Santos, representando a ala esquerda do Partido Socialista, estarão condenados a enfrentarem-se numa futura disputa pela liderança do PS.

P.S.: por sua vez, neste Sábado, o Expresso aposta que também está escrito nas estrelas que Paulo Rangel e Luís Montenegro se vão defrontar em futura corrida à liderança do PSD. Diria que aí as certezas são menos: Rangel assumiu no último Congresso, no mais frouxo discurso seu em conclaves do género durante anos, aquilo que deixara escapar para os jornais, ou seja, a "travessia no deserto" partidária que o não se chegar à frente, quando muitos o reclamavam, para si implicou. E não me parece seguro que regresse já em 2019, data que muitos apontam para nova mudança de liderança no PSD.

Da ética do fotógrafo (fotojornalista)


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Questionado sobre essa outra questão ética, levantada em anteriores edições da World Press Photo, sobre o socorro que um fotógrafo pode ou deve prestar perante estas situações, o fotojornalista português [Alfredo Cunha] é resoluto: "Essa é uma falsa questão: é importante que o mundo inteiro veja esta imagem, é por isto que ainda somos jornalistas". E não esquece de colocar a hipótese de o fotógrafo ter, de seguida, ajudado o retratado.

Sílvia Couto Cunha, E a imagem do ano é...Visão nº1303, de 22/02 a 28/02 de 2018, p.58

P.S.: Esta foto é uma das 6 finalistas do World Press Photo 2018, tirada por Ronaldo Schemidt, em Caracas, na Venezuela, com um manifestante em chamas durante um confronto com a polícia, em manifestações/protestos contra Nicolas Maduro.

Contestar os factos é que não


A defesa de [Rui] Rangel irá alegar que muitos destes serviços não constituem crimes, apenas condutas que podem sofrer sanções disciplinares. A matéria disciplinar dos juízes prescreve passado um ano dos factos.

Sílvia Caneco, Tudo o que há contra RangelVisão nº1303, de 22/02 a 28/02 de 2018, p.51.

Movimentações políticas


*Renew: novo partido, nascido esta semana no Reino Unido, que tem como agenda principal inverter o processo de saída da União Europeia, previsto para Março de 2019. Inspirado no movimento "República em Marcha", de Emanuel Macron, desiludido com a inacção dos Liberais-Democratas (no centro-direita).

*Ksenia Sobchak: candidata às Presidenciais russas frente a Vladimir Putin. Disse ao GPS (CNN) que aprendeu com os erros do passado, e hoje não é a "socialite" que o status quo explorará para se referir à futilidade do mundo de figuras mediáticas globais, alheadas dos valores tradicionais. Interrogada por Fareed Zakaria, afirmou não temer, por si, até à data das eleições, mas assinalando que, logo depois, irá ter problemas - veja-se o que sucedeu a quem anteriormente se candidatou contra Putin -, sendo que considera, mesmo assim, que vale a pena a corrida política, pela afirmação da liberdade e da democracia (a construir). A candidata é filha de um ex-mentor do próprio Putin, e acaba por "substituir" aquele que era considerado o candidato mais forte frente ao actual Presidente, mas que foi impedido de se candidatar (Alexei Navalny).

Dos bairros sociais ao "ultramontanismo"


Fico a saber pela crónica semanal de José Eduardo Martins que há 60 mil lisboetas a viverem em bairros sociais, 20% da população da capital. Trata-se, constato no artigo, da capital europeia com mais bairros sociais e maior percentagem de população a viver em bairros sociais.

P.S.: José Eduardo Martins insiste na ideia de uma existência, prévia à actual liderança, de um "ultramontanismo" e de uma quase "confessionalidade" em posições do PSD que teriam levado o PSD a perder as grandes cidades, os principais centros urbanos. Trata-se de wishfull thinking, insisto: Passos, nas questões fracturantes, do aborto às barrigas de aluguer, esteve sempre na vanguarda do progresso. Não, não: não foi por aí que perderam. As referências ao "ultramontanismo" e à "confessionalidade" são tão moderninhas, tão politicamente correctas, tão fáceis quanto absurdas e vazias de qualquer significado no PSD dos últimos 8 anos. Liberais em tudo, isso sim, das questões culturais às económicas e sociais. Quem não é um liberal nem num âmbito nem noutro, como no meu caso, discorda de quem professa essas opções. De aí, a querer fazer de quem foi tudo menos "conservador" nas matérias dos costumes, para acertar ao lado de onde dói - o PSD perdeu quase 800 votantes, muitos pobres/reformados, mas não porque o partido se opôs, o que não sucedeu, às barrigas de aluguer - o responsável da "reacção" nos costumes é caricato.

Um olhar sobre os Partidos Socialistas


Adicionalmente, Merkel et al (2008) demonstram que, nos tempos de hegemonia neoliberal, os partidos socialistas que menos se "neoliberalizaram" foram aqueles que mais alianças fizeram com os partidos à sua esquerda (França, Suécia, Dinamarca), e/ou que maiores conexões tinham com os sindicatos; e a maior "neoliberalização" ocorreu entre aqueles socialistas que mais alianças fizeram com a direita ou que tinham menores possibilidades da entrada de novos competidores à sua esquerda, por protecção do sistema eleitoral, em caso de inflexão para o centro (Reino Unido, Alemanha, Holanda)

André Freire, A solução governativa portuguesa vista de dentro, in Heterodoxias Políticas, JL nº1236 ano XXXVII, de 14 a 27 de Fevereiro de 2018, p.29

P.S.: a obra de Wolfgang Merkel a que se refere André Freire é Social Democracy in power: the capacity to reform