quinta-feira, 19 de julho de 2018

Demografia (Japão, Portugal...)


1.A idade média de um português é de cerca de 44 anos;

2.No Japão, os homens entre os 40 e os 45 anos descansam, informam-se ou dedicam-se aos seus passatempos por volta das 22 horas

3.Em 2016, 1 em cada 3 pessoas tinha um emprego precário, no Japão (15,3% em 1984; 37,5% em 2016; as leis que autorizaram o trabalho temporário datam de 1986);

4.No Japão, 70% das mulheres deixam de trabalhar com o nascimento do primeiro filho;

5.Celibatários japoneses: 23,4%                     Celibatárias japonesas: 14,1%

6.Proporção de nascimentos fora do casamento, no Japão: 2,3% 
   Proporção de nascimentos fora do casamento, em Portugal: 49,3%

7.Legalmente, os japoneses podem reformar-se aos 60 anos. No entanto, o Japão é dos países onde a população activa é das mais idosas, sendo comum trabalhar-se até aos 70 anos;

8.A taxa de fecundidade no Japão é de 1,44 por mulher;

9.Em 2018, os japoneses são 126 milhões; eram 44 milhões em 1900; as projecções apontam para que em 2065 sejam 88 milhões e em 2300, a manterem-se as tendências demográficas, serão 8,8 milhões; em Portugal, somos 10 milhões em 2018 e prevê-se que sejamos 7,5 milhões em 2065

10. O Primeiro-Ministro nacionalista, Shinzo Abe diz que não vai recorrer à imigração para (tentar) alterar as tendências demográficas, antes apostando na Inteligência Artificial para cobrir múltiplas necessidades da Economia. Todavia, no ano passado, o país tinha 2,47 milhões de estrangeiros, 1,28 milhões dos quais estavam a trabalhar (sobretudo, em tarefas que os japoneses rejeitam fazer);

11.Os Conselhos Municipais da Juventude, há mais de uma década existentes na Europa, surgiram por volta de 2015 em algumas localidades japoneses. A juventude japonesa seria pouco politizada e não teria quem a representasse (politicamente)

12.A crise de 2008 também afectou o mundo do trabalho japonês, aumentando a precariedade. Há políticas de natalidade que a procuram estimular (com incentivos financeiros);

13.Parecem estar a aumentar os animais selvagens em zonas que vão ficando desertificadas, do ponto de vista humano; 

14.De acordo com as previsões do Ministério da Saúde japonês, 380 mil funcionários de cuidados paliativos serão substituídos por robots humanóides;

15.A eutanásia é ainda um tema tabu no Japão.

[a partir das pp.36-47, da edição de Julho do Courrier Internacional, edição portuguesa, nº269]

Ontem, na Capela do Rato (III)

Ontem à noite, na Capela do Rato (II)



«Interessam-me muito as palavras, é disso que vou sentir falta em relação ao P. Tolentino, porque as venho beber todos os domingos à capela do Rato; é sobretudo esse lado dele, de poeta, que faz toda a diferença, porque nos obriga também a levantar voo, a ganhar asas, ao meditar sobre o Evangelho. Desejo-lhe toda a sorte do mundo.» (Maria Rueff)

Ontem à noite, na Capela do Rato

Futuro


Uma civilização de tipo 1 é também dita planetária, porque controla todas as fontes de energia de um planeta. Controla, por exemplo, toda a luz do sol que atinge o seu planeta, controla e meteorologia. Dentro de apenas 100 anos, chegaremos a esse estágio. É muito fácil calcular a produção total de energia de uma civilização de tipo 1. Ao fazê-lo, percebemos que nos tornaremos uma civilização planetária por volta do ano 2100. Depois, quando passarmos a dominar todo o poder energético de uma estrela, teremos uma civilização estelar, ou de tipo 2. Poderemos então brincar com as estrelas. Para dar um exemplo, o Star Trek [Caminho das Estrelas], com a sua Federação dos Planetas Unidos, podia potencialmente formar uma civilização de tipo 2. O próximo passo são as civilizações de tipo 3, semelhantes às de A Guerra das Estrelas.  Cada civilização está separada da anterior por um fator de cerca de dez mil milhões: tomando a potência energética de uma civilização multiplica-se por dez mil milhões e obtém-se a potência energética da civilização seguinte. (...)
Estamos prestes a tornar-nos uma civilização de tipo 1. A internet é a primeira tecnologia de tipo 1 que tem uma dimensão verdadeiramente planetária, é a primeira a espalhar-se por toda a Terra. Para onde quer que olhemos, observamos culturalmente a prova dessa transição. É por isso que a internet é tão importante. Uma civilização de tipo 0 ainda transmite toda a selvajaria ligada à sua recente saída do pantanal. A nossa continua marcada pelo nacionalismo, pelo fundamentalismo...Mas quando chegarmos ao estágio de uma civilização de tipo 1, teremos eliminado a maioria desses problemas. Quando chegarmos ao tipo 2, tornar-nos-emos imortais: nada cientificamente conhecido destruirá uma civilização de tipo 2. (...)
Até ao final do século, vamos ser capazes de nos digitalizarmos. Tudo o que sabemos sobre nós próprios - a nossa personalidade e até mesmo as nossas memórias - será convertido em dados digitais. Neste momento, o Human Connectome Project, que o Presidente Obama ajudou a lançar, está a trabalhar no mapeamento de todas as conexões internas do cérebro.
Cada um de nós deixa já uma pegada digital. Todas as nossas transacções com cartões de crédito, as nossas fotografias no Instagram, os nossos vídeos...Isso representa já uma significativa informação digital. Mas perto do final do século, será o próprio cérebro que vai deixar a sua marca. Vamos ser capazes de criar uma imagem compósita de quem somos. Vamos poder digitalizar essa imagem, carregá-la num feixe de laser e enviá-la para a Lua. Num segundo, estaremos na Lua, em vinte minutos chegaremos a Marte, num dia acercamo-nos de Plutão e em quatro anos estaremos perto das estrelas. Sem termos de nos preocupar com reatores de foguetões, sem risco de acidentes, efeitos da falta de peso ou raios cósmicos. Vou ao ponto de dizer que acho que isto já existe. Que há extraterrestres muito mais avançados do que nós, que não se enlatam em discos voadores. Os discos são muito datados, são mesmo muito do século XX! Não, eles já se lasertransportam. É possível que exista uma autoestrada de laserportação muito perto da Terra, através da qual milhões de seres se laserportam através da galáxia, mas somos demasiado estúpidos para perceber isso. (...)
Acima de tudo, o que deve ser entendido é que já estamos hoje a transformar a Terra: a terraformação é uma realidade. [Quanto a Marte], podemos avançar por etapas. Primeiro, utilizando metano para aquecer um pouco a atmosfera. A segunda etapa será a de instalar painéis solares para derreter as calotas polares. Uma vez que a temperatura tenha subido seis graus Celsius, desencadeia-se uma reacção desenfreada. O aquecimento acelera. É só isso o que é preciso fazer: aquecer o planeta cerca de seis graus. Actualmente, estamos a aquecer a Terra um grau e nem sequer temos consciência disso. Mas em Marte, teremos de elevar a temperatura conscientemente cerca de seis graus
Depois, evidentemente, teremos de tornar Marte habitável, com plantas geneticamente modificadas para poderem vingar na atmosfera marciana, composta por altos níveis de dióxido de carbono. Teremos também de explorar o gelo, para produzir água, e procurar combustível para os nossos foguetões. Modificar geneticamente certas plantas, para que cresçam e nos alimentem, e derreter as calotas polares. Estaremos em condições de iniciar este processo dentro de uns 100 anos. Ninguém considera que possamos fazer isso no imediato, mas será possível dentro de um século; depois de instalada uma colónia em Marte, poderemos iniciar esse processo. (...)
Em 1967, se lhe dissesse que um dia o Homem construiria o seu próprio foguetão e iria colocar a sua bandeira na Lua, para reivindicar uma parte dela, acharia que estava maluco. E já chegámos aí. Milhões de pessoas assistiram ao lançamento do foguetão Falcon Heavy [lançado pela SpaceX, em 6 de Fevereiro de 2018]. Era um foguetão lunar. Quanto custou aos contribuintes? Nada. Nem um cêntimo. Ninguém podia prever isso em 1967. É por isso que precisamos de novos tratados. Porque a China, por exemplo, também se está a preparar para ir à Lua; já anunciou que vai implantar lá a sua bandeira. As empresas privadas acabarão por ir também à Lua, mais cedo ou mais tarde. É que não é muito complicado ir até lá. E é por isso que precisamos de tratados. No futuro, as pessoas irão passar a luz de mel à Lua. Vai tornar-se uma atracção turística. (...)
Um dia [o Universo] vai ficar tão grande e tão frio, que a vida não será capaz de subsistir. Desaparecerá toda a vida da superfície da Terra. Portanto, a minha posição é a de que, como o Universo está destinado a morrer, devíamos sair dele. (...)
De toda a vida formada na Terra, 99,9% já se extinguiu. A extinção é a norma. Nós pensamos que a Mãe Natureza é doce e carinhosa, mas ela também sabe ser selvagem e indiferente. A Natureza não se importa que nos tornemos uma simples nota de rodapé da história da vida. Dito isso, acho que somos diferentes dos 99,9% das formas de vida que desapareceram. Os dinossauros não tinham um programa espacial e é por isso que eles não estão hoje aqui. Eles fazem parte dos 99,9%. Quando o asteroide atingiu a Terra, eles não sabiam como reagir. Nós temos um programa espacial, para podermos desenvolver um plano de emergência


entrevista realizada com Michio Kaku, Físico norte-americano, Professor de Física Teórica no City College, em Nova Iorque, pela revista 52 Insights (09-04-2018), e traduzida e publicada pelo Courrier Internacional, nº269, Julho de 2018, pp.60-65. O autor tem publicado inúmeros livros, traduzidos para português, e que fazem parte do Plano Nacional de Leitura.

quarta-feira, 18 de julho de 2018

COSMOS


52 Insights: O facto de termos aparecido e de a Terra ter sobrevivido tanto tempo de forma tão perfeita é estranho, mesmo assim. A sua teoria do multiverso é compatível com esta realidade? 

Michio Kaku: Sim, resolve o problema do ajuste fino. Parece que o Universo sabia que íamos aparecer. Todas as forças do Universo se ajustaram com precisão, para tornar possível a vida na Terra. Se a força nuclear fosse mais forte, o Sol teria morrido há milhares de milhões de anos. Se fosse mais fraca, nunca teria entrado em combustão. De facto, a força nuclear é a suficiente para produzir a luz solar, o que é extremamente raro. Pode examinar a lista toda e encontra muitas coincidências assim. Portanto, ou Deus existe ou beneficiámos de uma conjugação de dados incrivelmente feliz.

entrevista realizada com Michio Kaku, Físico norte-americano, Professor de Física Teórica no City College, em Nova Iorque, pela revista 52 Insights (09-04-2018), e traduzida e publicada pelo Courrier Internacional, nº269, Julho de 2018, pp.64-65. O autor tem publicado inúmeros livros, traduzidos para português, e que fazem parte do Plano Nacional de Leitura.