domingo, 24 de fevereiro de 2013

As coisas são o que são


E a letra da lei é muito clara - ao contrário do famoso "legislador" que usou a chamada "técnica da meia-dose" para deixar clareiras de ambiguidade interpretativa - no sentido de não permitir a existência, na prática, de uma profissão que não existe, a de presidente de câmara ou de junta de freguesia. À boa maneira portuguesa da esperteza saloia, pretende-se que nada impeça que floresçam aqui e ali pequenos salazarinhos autárquicos que saltitem, alegre e eternamente, de câmara em câmara sem limites temporais como, por exemplo, os impostos ao PR. Um módico de ética e de bom senso políticos, aliás, bastaria para que as criaturas percebessem o que deve ser a contingência do exercício de funções públicas eleitas. Uma dessas criaturas, sem se rir, até se louvou no Presidente para dizer que este "destruiu" argumentos contra a sua candidatura o que diz tudo do propósito que o anima: não interessa o conteúdo (no caso, pequenino) mas a forma que o "salva". Mais coisas que são o que são.
 
João Gonçalves, no Portugal dos pequeninos, 23/02/13.
 
 
P.S.: Ler jotas, em jornais - até locais - a defender a interpretação da lei de modo a permitir tranferências de presidentes de câmara entre diferentes municípios, findos os três mandatos, achando que faz sentido uma pessoa eternizar-se no poder 30 ou 40 anos, mostra bem o ponto a que chegámos e do qual, se forem estas as gerações que se sucedem em alguns partidos, não sairemos.
 
 
 

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