quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Albert Jacquard (II)


Albert JACQUARD, Dieu? Stock / Bayard, Paris 2003, 116-119. “Se ser em comum é apenas somar (função aditiva) o resultado não traz qualquer inovação; se coloca em presença dois seres capazes de se influenciarem reciprocamente um ao outro (função explicativa) o resultado é muitas vezes imprevisível e pode dar o ‘ainda não visto’. As reflexões científicas sobre o conceito de complexidade podem explicar e aproximar este efeito da interacção. Numa estrutura material complexa, isto é, desde que as relações entre os seus elementos não são aditivas, os resultados de que é capaz podem ser sem medida comum com os dos seus constitutivos. Esta verificação das ciências pode ser tida em conta a propósito do pôr em comum realizado pelas estruturas hipercomplexas que são as pessoas. O que elas podem realizar quando criam um conjunto interactivo, quando estão em estado de comunhão, é de uma outra natureza que as realizações de que são capazes individualmente…Não é esta a mensagem do Evangelho, onde Jesus afirma: “Onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, eu estarei no meio deles”? A reunião das pessoas, o estar cada um face aos outros numa atitude não de recusa ou competição, mas de abertura, faz aparecer uma realidade nova definida aqui por este ‘Eu’. Esta verificação tem por consequência o programa de vida proposto no sermão da montanha: ‘Amai os vossos inimigos, fazei bem aos que vos fazem mal…’(Mt 5). Não se trata duma proposição de bons sentimentos, mas é uma necessidade lógica conforme à lucidez. Para beneficiar das possibilidades novas dadas pelo estar em comum, a ‘comunhão’, é necessário ser capaz de realizar com os outros um ser colectivo, olhá-los como fontes e não como perigos".
 
 

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