sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Opinião pública (portuguesa e europeia)


Como espécie de aperitivo para o fim-de-semana que se avizinha, de "Presente no futuro", li o conjunto de curtos ensaios insertos neste e-book da FFMS: "20 anos de opinião pública em Portugal e na Europa". Neles, destacaria, sobretudo, o texto de Maria José Chambel, acerca da "centralidade e valores do trabalho". É que dois dados, de grande relevância e pertinência, assomam aí: numa escala de 0 a 4, o valor médio, encontrado nos inquéritos realizados, junto dos portugueses, quanto á importância - "dimensão central" - nas suas existências, do trabalho, é de 3,5, ou seja, um valor bem elevado (provavelmente, contrastando com a ideia que os portugueses fazem uns dos outros, pelo menos, ou também, neste concreto âmbito); numa análise 'mais fina' - como agora se diz -, verifica-se que para os trabalhadores portugueses, o 'valor extrínseco' - ser 'bem pago' e ter 'segurança' - do trabalho é superior ao 'valor intrínseco' no mesmo - 'ter iniciativa', 'assumir novas responsabilidades'. Que é como quem diz, e na feliz conclusão da autora, "este resultado, à luz da teoria da autodeterminação, alerta-nos para o facto de os Portugueses não retirarem tanto proveito da sua actividade profissional como o desejável, ficando aquém do seu possível contributo para a satisfação das necessidades mais nobres do ser humano" (p.28). Mais: "De facto, o bem-estar geral dos indivíduos e a sua satisfação com a vida está dependente do quanto consideram que as suas acções irão satisfazer as suas necessidades intrínsecas. Pelo contrário, quando na base da motivação estão as expectativas de vir a receber uma recompensa ou um resultado que lhes é externo, mas que é para si importante, não conseguirão atingir estados de auto-realização indispensáveis a elevados níveis de bem-estar e satisfação. Deste modo, podemos dizer que para o bem-estar dos trabalhadores é fundamental que vejam na sua actividade profissional uma forma de obterem não só recompensas extrínsecas, mas sobretudo uma forma que lhes traz a oportunidade de obterem um conjunto de recompensas intangíveis que satisfazem as suas necessidades de criatividade, iniciativa e decisão autónoma" (p.28/29).
 
De destacar, ainda, em um outro texto, este da autoria de Pedro Magalhães, a correlação entre a diminuição da confiança, pelos portugueses, nas instituições democráticas como Parlamento e Governo e a performance económica do país - significativa diminuição de confiança entre 2003 e 2013 -, mas não já assim no que diz respeito à confiança na Justiça, que desce independentemente do ciclo económico, bem como uma imensa quebra da taxa de sindicalização, nos últimos 30 anos, das maiores na Europa. Os portugueses confiam mesmo é na Televisão (maxime, p.52).
 
Dos gráficos que ilustram posicionamentos de diversas opiniões públicas, sobre as mais variadas temáticas, não deixei de achar especialmente divertido o que procura traçar uma relação entre (o aumento da) crise económica e a crença das pessoas, diversa consoante os países, no Inferno (embora o conceito de Inferno, apesar de ter alguma tradução no estudo, "sofrimento infindável e indesculpável", "lugar permanente e mau" (p.44/45), deixe bastante a desejar e seja duvidosa a sua inteligibilidade unívoca por todos os que responderam). José Tavares, autor do ensaio em que o gráfico aparece, notando como os crentes no Inferno, na Grécia, aumentaram 10% na última década, não deixa, ele mesmo, de qualificar de "colorido" e "curiosidade estatística" o esquema a este propósito apresentado.
 
 

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