sábado, 26 de outubro de 2013

As famílias e o ensino superior



Nelson SANTOS BRITO, Somos o que escolhemos, Público, 18. 10. 2013, 49.


Este é o momento de voltar a colocar o Estudante no Centro da Universidade


No discurso proferido na Universidade de Princeton, em 2010, Jeff Bezos, fundador e presidente da Amazon, explicou aos estudantes que a inteligência é um presente, mas a gentileza ou a bondade é uma escolha. Receber presentes é fácil porque eles são dados, mas, realmente, fazer escolhas ou tomar decisões é sempre mais complicado. No momento em que são conhecidos os resultados do número total de famílias que tomaram a decisão de não candidatarem os seus educandos ao ensino superior público, é fundamental reflectir, uma vez que, mais do que discutir se as transferências do Ministério das Finanças chegam a tempo de algumas Instituições de ensino superior não terem que recorrer a receitas próprias para pagar os subsídios de Natal, o mais importante seria discutir, com racionalidade, as razões concretas do desinvestimento por parte das famílias em educação superior.
Nos últimos anos, discutimos quase tudo menos as razões por que estavam os portugueses a desvalorizar o ensino superior, ou seja, discutimos tudo menos o que interessa aos estudantes, esquecendo que as universidades apenas existem porque existem alunos. É fácil encontrar justificações na demografia, é ainda mais fácil afirmar que o nível de dificuldade dos exames nacionais de 12.o ano aumentou ou, então, é ainda mais simples culpabilizar a crise e responsabilizar os sucessivos Governos por investirem menos em Educação.
Todos estes argumentos são válidos, mas nós somos o que escolhemos, e o que escolhemos foi deixar de colocar o estudante no centro dentro da universidade, investindo recursos financeiros em cursos e em instituições sem estudantes, não colocando a devida preocupação no sucesso escolar e na empregabilidade dos diplomados e não valorizando os empregadores como os verdadeiros clientes das instituições de ensino superior.
Este é o momento para explicar aos portugueses que temos um ensino de qualidade que é procurado por estudantes de todo o Mundo, este é o momento de explicar que, segundo dados da OCDE, o salário da população activa com ensino superior é 170% mais elevado do que o de uma pessoa sem formação superior, este é o momento de reconhecer que um país moderno e gerador de oportunidades apenas se constrói com pessoas qualificadas, este é o momento de explicar que a taxa de desemprego na população activa com ensino superior é de 12% e não de 37% como infelizmente acontece na população Jovem, este é o momento de tomar decisões dentro da universidade para voltar a colocar o estudante no centro e de ter a bondade de reconhecer os erros cometidos.

 
Director-geral da Universidade Europeia

 

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