terça-feira, 1 de outubro de 2013

Cinemateca




A cinemateca

A Cinemateca de Lisboa faz parte do jardim botânico da tranquila aprendizagem pública da lucidez: esse jardim tem muitos cantos distintos (árvores velhas e árvores novas) mas não é um jardim infinito, claro. Pelo contrário, é jardim de dimensões modestas.
E nesse jardim botânico da cultura eis, portanto, uma árvore fortíssima – antiga e nova ao mesmo tempo – a Cinemateca: sala (agora várias) onde qualquer pessoa com vinte anos, sensata, se senta para melhorar aquilo que já tem: a sensatez, isso mesmo. Como é evidente: só um tipo sensato sabe que tem de melhorar (e muito) a sua sensatez; e só um tipo lúcido percebe como é urgente apurar a sua lucidez.
E, de facto, quem não fizer durante cinco anos, pelo menos, este curso óptico de forma intensiva – ou um semelhante – falhará redondamente na sua formação (parece-me).
E, por isso, uma Cinemateca não se fecha.
Uma Cinemateca continua aberta abre noutros lados, se possível.


Gonçalo M. Tavares, Visão, nº 1073, 26 de Setembro a 2 de Outubro, p.10.


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