sábado, 12 de outubro de 2013

O FCP, nos idos de Outubro


Jorge Valdano, que esta semana lançou mais um livro, costumava dizer que as selecções são assim como que aqueles familiares longínquos de quem gostamos, mas que de cada vez que nos visitam, enfim, tínhamos outras coisas para fazer, outros desejos a cumprir, outras prioridades e, no fundo no fundo, vêm sempre em má ocasião. No caso português, instalou-se, desde há alguns anos, a rotina da 1ª volta de cada campeonato ser sempre acidentada, com interrupções permanentes, com uma quebra no ritmo competitivo e entusiasmo do adepto, numa prática que se compreende tão mal num tempo de futebol-paixão, como de futebol-indústria.
Neste fim-de-semana de paragem da LPFP em virtude de um Portugal-Israel que não dá para sonhar, eis um conjunto de notas sobre o FCP, nestes idos de Outubro:

1-Poucos jogos de preparação, experimentalismo em competição.
Provérbio a adquirir, na explicação que vá à raíz do porquê de o Porto, à 7ª/8ª jornada, permanecer num labirinto à procura de si próprio.

2-Regresso ainda ao radical.
Ausência de sistematização de esquema táctico que rivalize com o 4x3x3 impede que, na ausência de extremos fiáveis – o que é por de mais evidente, no FCP 2013/2014 – se opte por um 4x4x2 (losango, por exemplo).

3-Um 4x4x2 losango permitiria, provavelmente, compatibilizar, do melhor modo, o talento principal que o plantel esta época recolhe: Quintero, Josué, Lucho em associação com Jackson.

4-Jackson deve estar quase, quase, quase a renovar.
É que já não anda “triste”. O jogo em Arouca, do ponta de lança colombiano, foi do melhor que se viu nestas duas épocas.

5-A equipa, no entanto, não pode, nem deve dizer ao seu ponta de lança: “Olha, ganha tu o campeonato sozinho”.
Mas foi isso que lhe disse em Arouca.

6-Há insubstituíveis e Moutinho é um deles.
Defour tem agressividade defensiva e rouba algumas bolas, mas é uma nulidade a atacar. Josué passa como ninguém, mas não parece com intensidade de 90 minutos na posição 8. Herrera, em Arouca, teve algum pulmão nos primeiros 45 minutos, onde atacou melhor que Defour, mas onde poucas vezes me recordo de o ter visto roubar, ou recuperar, uma bola que fosse.
Vamos em três 8’s experimentados na época e falta, ainda, o notável Carlos Eduardo – o homem que não falha um passe.
Há insubstituíveis e Moutinho é um deles.

7-Ninguém parece querer ver o problema à esquerda.
Alex Sandro jogou, até agora, todos os jogos, 90 minutos em cada um. Não tarda muito e não temos lateral esquerdo.

8-Mangala fez falta com o avançado de costas para a baliza. Viena, último minuto. Única forma do Áustria poder chegar ao empate? Bolas paradas. Não marcaram.
Mangala faz duas faltas com os avançados do Atlético de Madrid de costas para a baliza e sem grande perigo aparente. À segunda, golo do Atlético.
Mangala faz falta, no último minuto, sobre um avançado do Arouca, que está de costas para a baliza e não vai marcar golo, nem coisa que o valha. Do livre, sim, nasceu o golo da equipa da casa.
A continuar assim, o desconto nos 50 milhões da cláusula de rescisão poderá ser colossal.

9-Paulo Fonseca delineia um plano de jogo perfeito com o Atlético de Madrid.
Peritos em contra-ataque, os colchoneros não podem ter espaços nas costas da defensiva portista. Fonseca sufoca o adversário, ousando uma pressão alta e intensa. O Porto marca. O ritmo não pode manter-se, claro, nem é necessário. Recuar as linhas faz sentido. No Atlético falta imaginação quando o jogo fica desta maneira. Hélton decide, então, reaparecer. Primeiro, num frango que vai ao poste. Depois, ofertando o empate.

10-Há 4/5 anos que no lançamento de um outro confronto Atlético de Madrid-Porto a imprensa espanhola apontava Hélton como o elo mais fraco do FCP. A Marca que, na passada quarta-feira, escrevia sobre um “FCP fenomenalmente trabalhado”, com um “Josué de boas maneiras” ao centro e um “Jackson de incontáveis movimentos”, descobria de novo em Hélton “um guarda-redes de nível inferior”.
Deve ser o guarda-redes mais caro da história: eliminou o FCP com o Chelsea, e esteve ligado a derrotas como as do Shalke, Man.United, PSG, etc. Sim, faz parte da família, mas não é um grande guarda-redes.

11-Falta talento ao Porto 2013/2014. E, contra isso, batatas. E faltam extremos de qualidade extra. Há saudades de Moutinho, mas também de Drulovic ou Capucho.

12-Se a direcção do clube da luz quisesse mesmo que JJ se retirasse do banco, Bruno Esteves não tinha estado em Guimarães e Manuel Mota não tinha ido ao Estoril.



Sem comentários:

Enviar um comentário