terça-feira, 1 de outubro de 2013

Recomeçar


Um desses homens, que tanto inspirou Van Parijs, é o americano John Rawls – mas até esse o belga contesta. Não para limitar o alcance da sua obra, mas sobretudo para não limitar o alcance da sua Liberdade Real para Todos (…) Na verdade, Van Parijs procura com a sua Liberdade Real para Todos criar um sistema que seja tão evidente nos tempos modernos como foi, no século XX, a obra de Rawls – que Bill Clinton definiu como o trabalho que «reacendeu a fé dos americanos na democracia». Não é de resto por acaso que a universidade americana de Harvard convidou Van Parijs a ocupar o posto deixado vago com a morte de Rawls, em 2002 – a cadeira de Filosofia, que é de Van Parijs desde Fevereiro de 2005.
Portanto, tanto Rawls como Van Parijs estão preocupados em maximizar as possibilidades colocadas à disposição dos mais desfavorecidos, mesmo que isso implique alguma forma de desigualdade.
Nenhum dos dois se bate por sistemas igualitários. Nesse sentido, Van Parijs socorre-se de facto de John Rawls para justificar as desigualdades que, além daquelas óbvias que já aqui escrutinámos, possam surgir no seu modelo social (…) Desta vez, não à luz da sua justificação formal (ficou claro que Van Parijs acompanha a tradição de Rawls na convicção de que a garantia de liberdade não é suficiente, pelo que cada um deve receber os meios necessários ao exercício dessa liberdade), mas à luz do princípio da oportunidade.


Martim Avillez Figueiredo, Será que os surfistas devem ser subsidiados?, Aletheia, Lisboa, 2013, p.43-53.


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