quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Trigo Pereira e as autárquicas


Entre os partidos, o grande vencedor (…) foi sem dúvida a CDU. O PCP é hoje o único partido português que aceita a saída do euro e que tem uma narrativa clara contra a austeridade. Os portugueses estão a ficar menos europeístas e o PCP é o partido menos europeísta. Tem uma prática autárquica sólida e, numa época de grande relativismo de valores éticos, tem sabido ter candidatos que raramente se vêem envolvidos em práticas menos claras ao nível autárquico (…)

Uma grande vitória (…) foi a de António Costa, que soube continuar a construir pontes com os Cidadãos por Lisboa e vários independentes. É de facto dos melhores políticos que o país tem e é uma pena que não tenha ascendido a secretário-geral do Partido Socialista. Foi confrangedor comparar a solidez e a euforia da celebração eleitoral de Costa e sua equipa com a quase solidão das declarações de Seguro no Largo do Rato (…)

Estas eleições autárquicas mostraram que há energia na sociedade civil, e que em particular no centro-esquerda e no centro-direita, existe uma área política por preencher em Portugal, e que há protagonistas à altura quer dentro quer fora dos partidos. No PSD há sociais-democratas, liberais-sociais e neoliberais. A convivência dos primeiros com os neoliberais não é salutar. Pessoas como Paulo Rangel, Rui Rio, António Capucho, Pacheco Pereira não encaixam no PSD de hoje e duvido que tenham hipóteses de vir a enquadrar-se no PSD do futuro.


Paulo Trigo Pereira, As autárquicas e o futuro do país, Público, 06/10/13, p.54.


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