terça-feira, 8 de outubro de 2013

Um reparo







Algumas das notas, aqui adaptadas, do reparo que fiz na universidadefm, na passada segunda-feira:


Se o voto branco, ou nulo - em Vila Real, os votos brancos superaram o eleitorado do PCP/PEV e do BE e, somados aos votos nulos, quase alcançaram a votação do CDS/PP - resulta, porventura, em parte, de ignorância, por alguns cidadãos, dos programas e principais autores/líderes dos mesmos, tal como do trabalho feito ao longo de uma legislatura por cada força partidária/cada representante (os três factores que identifico como os mais relevantes na decisão do voto a nível local; tal não significa, bem entendido, que todos os votantes, nestas autárquicas 2013, lograssem um conhecimento exaustivo dos topos elencados), vale a pena reflectir e, a meu ver, rectificar a abordagem que a imprensa, ou media locais fazem das Assembleias Municipais. Não creio que os temas ali discutidos e, sobretudo, aqueles que, de entre os eleitos, mais se destacam na preparação e estudo dos dossiers, nas intervenções (sustentadas) ao longo de quatro anos encontrem, nos meios próximos, o destaque e reconhecimento merecidos. Quer dizer, mais e melhor informação - são necessárias ambas - e maior cuidado e selecção editorial - em vez de uma amálgama indiferenciada, anódina, com uma espécie de relato de resultado final, sem escalpelização do sucedido, sem detalhe, sem distinguo dos momentos verdadeiramente relevantes, daqueles que representam assuntos menores; algo que tantas vezes vemos suceder - poderiam constituir-se como um real contributo para cidadãos melhor informados, mais conhecedores, mais livres.
(a título meramente simbólico, e como nota de rodapé neste âmbito, note-se como os jornalistas destacados na AR, normalmente sempre os mesmos, em trabalho para cada órgão de comunicação social, durante a legislatura, escolhem, a cada 365 dias, o "deputado do ano", conferindo-lhe um reconhecimento, uma distinção, um elogio, uma visibilidade que, a nível local, sem televisão por perto, importaria a quem, justamente, carece desse tempo de antena, para se afirmar; as entrevistas que costumam seguir-se a tal eleição, as reportagens com o deputado vencedor, os destaques múltiplos podem, em realidade, contar-se como um trabalho de verdadeiro serviço público a cidadãos mais distantes do areópago político local por excelência).

Todavia, também, e principalmente, aos partidos está acometida a tarefa de, pelas mais diversas vias ou plataformas, fazerem chegar aos seus concidadãos o trabalho, o estudo, a preparação, as intervenções, as propostas, os resultados colocados/obtidos a propósito de cada questão/problema pela(o) qual se trabalha, em prol destes/da comunidade.

O cinismo em torno da política, o engraçadismo face aos momentos folclóricos que, inevitavelmente, acompanham as diferentes campanhas eleitorais fazem esquecer, não raramente, e, aliás, de modo, por vezes, particularmente cruel, o trabalho de sapa, de formiga que, de facto, alguns do eleitos pruduzem pela comunidade.
Era bom que tal realidade fosse contrariada.


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