domingo, 13 de outubro de 2013

Uma semana com muitas entrevistas


*Na passada quinta-feira, nesta entrevista a Vítor Gonçalves, na RTP Informação, Adriano Moreira voltou ao ponto de não retorno do mandato deste Governo: a carta de demissão de Vítor Gaspar. Apesar de o tomar, amiudadamente, por "ministro do Orçamento", Adriano Moreira considerou de "grande honestidade intelectual", como deve fazer "um grande académico", a carta em que Gaspar expôs os motivos da sua saída, com a confissão de fracasso de uma política. "Ninguém fala da carta", disse o ex-líder do CDS, colocando o dedo na ferida do momento de viragem entre uma altura em que (ainda) havia uma considerável parte da opinião publicada que seguia a agenda governativa e aquele (outro) em que essa defesa deixou de existir. Apesar de todas as promessas, o novo ciclo, a aposta no investimento, o crescimento, a solidez da governação tudo foram promessas, que, aliás, ninguém levou a sério, de Verão. A entrevista não revelou, apenas, a habitual lucidez de Adriano Moreira: a resposta sobre os motivos porque se manteve no CDS - mesmo que o caminho da Doutrina Social da Igreja não seja seguido, por ali, com grande assiduidade, sempre alguém se há-de manter para indicar que é por aí o trilho; não foi aqui confrontado, contudo, com o que dissera há cerca de um ano, no mesmo canal: que o PS parecia, hoje, ser o partido mais próximo dessas concepções -, o modo resoluto como separou o político do pessoal na relação com a filha Isabel - calhou bem ao entrevistado a questão colocar-se no casamento gay -, a maneira como julgo que, muito acertadamente, a descreveu como 'genuína, autêntica', e, mais ainda, a resposta, culta e sensível, sobre como gostaria de ser recordado, expõe alguém, de facto, muito inteligente.
 
*Neste Domingo, entrevistado, na TSF/DN, por João Marcelino e Paulo Baldaia, Mário Soares começou por mostrar pouca convicção quanto à real existência de uma alternativa, actual, do PS, caso existissem, agora, eleições - "se António José Seguro diz que está preparado é porque existe alternativa". Depois, voltou a lançar, em força, um quadro do PSD para o futuro político do país: Rui Rio: "sabe o que quer". Discorreu, como habitualmente, sobre a Europa feita, a meias, por sociais-democratas e democratas-cristãos, observando que, porventura em Itália, com Letta, a democracia-cristã poderá rejuvenescer. Questionado, por João Marcelino, sobre se não seria Mariano Rajoy aquele líder europeu que mais se aproximaria de uma figura democrata-cristã, respondeu: "Por amor de Deus! O Rajoy não é democrata-cristão, não é nada! É o Rajoy!". Assegurou que António Costa não quererá ser líder socialista, mas que dará um futuro bom PR. Sobre a hipótese Durão Barroso riu-se e deixou Marcelo como "enterteiner, nem comentador é".
Quanto à criminalização de opções políticas, nomeadamente das tomadas por este Executivo, Soares faz exactamente o mesmo que a JSD propôs para o Governo Sócrates. Uma sugestão imprópria de um político e pueril.
 
* Quinta-feira passada foi, ainda, dia de entrevista dada por Francisco Assis, na antena1, a Maria Flor Pedroso. Nela, gostei de ouvir o deputado socialista dizer que "não se esqueceu", nem "deixou cair" a proposta de primárias, nos partidos, abertas à social civil. Afirmou, mesmo, a "urgência" da medida. No resto, como diriam nuestros hermanos, 'deixou-se querer' como cabeça de lista do PS às próximas europeias. Uma indicação que, muito provavelmente, veremos confirmada nos próximos meses.
 
* Relativamente à participação de Pedro Passos Coelho, em O país pergunta, revejo-me, no essencial, no que  escreveu Vasco Pulido Valente, nas páginas do Público, da última sexta-feira.
 
 
 

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