sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Alfabetos (III)


Bazarov não é um niilista no sentido em que agora se usa essa palavra, na medida em que professa valores e afirma verdades. Por niilismo entende-se - em especial hoje, numa época em que ele parece marcar toda a civilização ocidental e por vezes ser o seu destino - exactamente o oposto: um pensamento que nega a existência de qualquer valor e do próprio princípio de valor, proclamando que a vida não se fundamenta em nada e que não faz sentido procurar-lhe o significado. O termo foi usado pela primeira vez nessa acepção em finais de Setecentos por um escritor alemão, Friedrich Jacobi, que acusava o filósofo idealista Fichte de ter retirado todo o fundamento à realidade pondo no lugar de Deus a arbitrária actividade do Eu, do sujeito.

Claudio Magris, Alfabetos, p.129.


Sem comentários:

Enviar um comentário