sexta-feira, 1 de novembro de 2013

'Apelo a todos os santos'


APELO A TODOS OS SANTOS[1]

Coro inenarrável de vozes celestes (ou terrestres?) / multidão sem número seguindo o Cordeiro / Onde estão agora, rostos fixados no Alfa e no Ómega  / Como rostos, se ainda não ressuscitados? / No fim dos tempos só, havemos de ressurgir? / Em terra transformados, adubando os campos / em pó e cinzas esparzidos e restos de ossos resistentes / nossos corpos desfeitos, perdidos o perfil e os gestos, como vêm a Deus na plenitude da Luz? /  Muralha-mistério, limite do conhecer. De que saber / esperança, força, fé, se alimenta esta certeza / de um renascer, de um ressuscitar, de ressurgir homem- / mulher, ser recriado, tornado imagem de Deus perfeita / refeita na fornalha imensa, ardente do Ser... / Antevisão da glória chamada bem-aventurança, /  depuradas vozes, apurados cantos entoam louvores / coro inenarrável de vozes celestes (ou terrestres?) /  Escutam-no ouvidos de fé, prescrutam-no olhos / límpidos, lavados na água lustral do / mar imenso de Deus. Zumbidos / nos ouvidos, névoas nos olhos interceptam a / comunicação. Bem podeis socorrer-nos, irmãos bem-aventurados, /  todos os santos todos não sois demais para sinalizar / as costas, fazer roteiros e nos ensinar a arte de navegar - / a arte de navegar no mar de Deus.




[1] Maria de Lourdes BELCHIOR, Gramática do Mundo, Imprensa Nacional  - Casa da Moeda (INCM), Lisboa 1985, 73

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