quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

As minhas obsessões




Mais materialista, digamos assim, mais ideológica e menos metafísica, pelo menos em parte, a leitura de Jacques Ranciére – face à que fizéramos – de O cavalo de Turim, de Bela Tarr:

Na noite em que cai o silêncio final das personagens, está ainda a raiva intacta do cineasta contra aqueles que dão aos homens e aos cavalos uma vida humilhada, esses «vencedores» que, como diz o profeta nietzschiano do segundo dia, degradaram tudo aquilo em que tocaram, transformando-o em objecto de posse; aqueles, também, pelos quais tudo se torna impossível, uma vez que já tudo aconteceu sempre e que se apropriaram de tudo até mesmo dos sonhos e da imortalidade.


Jacques Ranciére, Béla Tarr. O tempo do depois, Orfeu Negro, Lisboa, 2013, p.119.


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