domingo, 26 de janeiro de 2014

Comportamentos eleitorais: uma explicação, um círculo vicioso


Há algumas semanas, o Atual, do Expresso, publicou um ensaio de Jurgen Habermas sobre o estado da democracia no (nosso) mundo globalizado. Um dos pontos mais importantes do texto atinha-se à quebra do número de cidadãos (eleitores) que, ao longo dos anos, nas últimas décadas, se dirige às urnas. Incidindo, em particular, sobre o caso alemão, Habermas citou estudos que mostram existir uma significativa camada da população, socialmente desfavorecida, que, considerando não ser (devidamente) representada (politicamente), deixou, pura e simplesmente, de votar. Como tais estudos não são, evidentemente, ignorados pelos mesmos políticos implicitamente censurados (pela abstenção deliberada de muitos dos seus compatriotas), sucede o intensificar de um perigoso círculo vicioso: como os mais desfavorecidos não se sentem representados (nos políticos e nas políticas) não votam; como não votam, menos incentivos/estímulos recebem os representantes…para representarem uma clientela que, afinal, deixou de existir. Talvez isto explique muito, no comportamento eleitoral. E não só na Alemanha.




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