segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Educação (literária)


O meu pai tinha uma razoável biblioteca, tinha sobretudo um culto enorme da literatura. Para ele, de resto, a literatura terminava no Proust. Pertencia a uma geração que cultivava muito a memória. Durante as refeições, fazia-nos citações e contava páginas de livros, sabia trechos inteiros do Eça, do Camilo…Isso teve uma importância enorme em condicionar a minha vontade para a leitura. E o contacto com a natureza através da ruralidade do Douro teve também uma importância muito grande. São horizontes diferentes. Ainda pertenço à geração que primeiro fazia um mês de praia e um mês de campo, ainda não era caro, havia propriedades. Em 1973 foi tudo vendido.


Vasco Graça Moura em entrevista a Ana Sousa Dias, O impaciente europeu, Ler nº131 (Janeiro 2014), p.36.


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