terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Os meus dias


As leituras feitas sem porquê não se perderam. Não. Descansem, ó utilitários, durmam em paz, produtivistas. São agora, até, mais preciosas do que nunca. Leio-lhes Montaigne, a começar a aula: se me intimam a dizer porque o amava, respondo: porque era ele, porque era eu. E logo a seguir, Santo Agostinho: agora, só as lágrimas me eram doces. As lágrimas sucediam a ele.
Quem dirá melhor a perda do amigo?
Precisamos de palavras, de saber dizer, de respirar fundo os sentimentos. Montaigne recria Horácio: amigo, “metade da minha alma”.
Assim vão os dias, e um só olhar inebriado, deleitado como eu, com os passos sublinhados, é a minha salvação.


Sem comentários:

Enviar um comentário