domingo, 23 de fevereiro de 2014

Descaracterização (II)


Manuel Carvalho, no Público:


O PSD sente-se desmemoriado. Não se sabe que livros anda a ler o primeiro-ministro, e ainda menos que reflexão produziu para deduzir tanta vitalidade social-democrata no seu partido. Não devem ter sido leituras de Bernstein ou de Gunnar Myrdall, nem o estudo da acção de Olof Palme ou de Willy Brandt. E, por simples causalidade, nem a inspiração de Sá Carneiro. Talvez Passos e o seu estado-maior acreditem com razão que as ideias e os programas políticos são evolutivos, que não se podiam aplicar num país aflito do século XXI as receitas de há 100 ou 50 anos. Talvez consintam que lhes basta um pouco de sensibilidade social e de amor pelo próximo para se reclamarem de esquerda. Ou talvez julguem que nestes tempos de relativismo baste salvar dos cortes quem recebe 500 euros por mês para proclamar uma política de justiça social e de redistribuição.




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