domingo, 23 de fevereiro de 2014

Descaracterização


Pacheco Pereira, no Público:

O que é importante, é outra coisa, é a descaracterização do PSD como partido social-democrata. Eu sei que me repito, mas às vezes é preciso. O PSD é o fruto de uma síntese única na vida política portuguesa entre o liberalismo político dos nossos "liberais" oitocentistas, com sequência nalgum republicanismo moderado, na oposição à ditadura não comunista, na "ala liberal", com o personalismo cristão, compreendendo a doutrina social da Igreja, e por fim, last but not least, a tradição da social-democracia alemã e nórdica, ou seja do princípio de que o estado deve ter uma função essencial de garantir a justiça social, seja criando oportunidades iguais a todos, por exemplo, por via da educação universal e obrigatória, mas acima de tudo pela garantia de que os frutos da riqueza de um país, são distribuídos em primeiro lugar pelos que mais precisam. O PSD considerava-se um partido da "classe média", dos self made man, do mundo do trabalho intelectual e fabril, a que atribua o valor de elemento fundador da dignidade humana. Agora parece um blogue radical de direita, de gente que acha que a culpa de tudo é sempre dos mais fracos, trabalhadores dos estaleiros, funcionários dos escalões inferiores, velhos, pensionista e reformados.


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