domingo, 9 de fevereiro de 2014

Empatia (III)


De resto, a empatia emocional, perceber aquilo que a outra pessoa sente, assenta raízes fundas na evolução que o ser humano conheceu, ao longo da sua já extensa história: partilhamos a rede de circuitos neuronais/cerebrais com outros mamíferos que, como nós, precisam de uma atenção aguda aos sinais de desconforto das crias (p.130). Não deixa de ser extraordinário: estudos cerebrais demonstram que, quando as pessoas ouvem alguém contar uma história fascinante, os cérebros ligam-se intimamente ao daquele que está a contá-la (p.130/131). Mais, ainda: no desenvolvimento do cérebro, somos programados para sentir a alegria ou a dor do outro antes de podermos pensar sobre isso (p.132). Na infância, um bebé chora quando ouve outro chorar, reacção desencadeada pela amígdala, radar do cérebro que alerta para o perigo (p.134).
A empatia, porém, depende, também, de nós: da capacidade de nos centrarmos, de nos focarmos nos sinais faciais, vocais e outros da emoção do outro. Nem sempre, todavia, a empatia é bem canalizada: um lado mais negro da empatia cognitiva – alguém sintonizar-se com o pensar do outro – ocorre quando alguém a usa para localizar as fraquezas de outrem, aproveitando-se destas e manipulando a pessoa. Quer dizer, a sociopatia vem, em muitos casos, acompanhada de uma considerável empatia emocional ou cognitiva.

P.S.: a partir de Foco, de Daniel Goleman.


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