sábado, 8 de fevereiro de 2014

Muito significativo


Num breve trecho sem ênfase das Antiguidades Judaicas, Josefo fala num perverso sumo sacerdote judeu chamado Anás que, depois da morte do governador romano Festo, condenou ilegalmente um certo «Tiago, o irmão de Jesus, aquele a quem chamam messias», a apedrejamento por transgressão da lei. Mais ainda, esse trecho relata o que aconteceu a Anás depois de chegar a Jerusalém o novo governador, Albino.
Por fugaz e desdenhosa que possa ser (a frase «aquele a quem chamam messias» pretende claramente exprimir escárnio), esta alusão contém enorme significado para quem procura qualquer sinal do Jesus histórico. Numa sociedade sem apelidos, um nome vulgar como Tiago exigia uma designação específica – um local de nascimento ou um nome do pai – para o distinguir de todos os outros homens chamados Tiago que erravam pela Palestina (donde, Jesus de Nazaré). Neste caso, o apelido de Tiago era fornecido pela sua ligação fraternal a alguém que Josefo presume que fosse familiar aos seus leitores. Este trecho prova não só que «Jesus, aquele a quem chamam messias», provavelmente existiu mas também que no ano de 84 e.c. [d.C.], quando as Antiguidades foram escritas, ele era amplamente reconhecido como fundador dum novo e duradouro movimento.


Reza Aslan, O zelota, p.23.


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