quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O regresso da 'austeridade expansionista'?


Depois de muito explorar a contradição entre a política económica pretendida por Paulo Portas e aquela outra que Vítor Gaspar preconizava – e de várias vezes deixar subentendida a falta de solidariedade (política) do primeiro para com o segundo dos governantes -, Maria João Avillez parece, a encerrar um longo capítulo da entrevista, ‘cair na real’: “Mas não era suposto começar o tal segundo ciclo, que Vítor Gaspar deixa claro na sua carta que terá que de começar?”.
Quer dizer, não estava Portas, ao demitir-se com a continuidade de políticas que o próprio Gaspar sustentava não poderem continuar, de acordo com o ex-ministro das Finanças e, portanto, no entender deste, certo? (p.342)
A resposta de Gaspar que, efectivamente, não releva da maior clareza, parece contraditória: “Sim. O momento do investimento. De resto, como se veio a saber mais tarde, a actividade económica em Portugal tinha já fortemente recuperado no segundo semestre. Isto mostra que a política e as percepções em política são um jogo de grande subtileza”.
Por um lado, Gaspar diz: ‘sim, era necessário o momento do investimento’. Mas logo depois: ‘a economia portuguesa já tinha fortemente recuperado’. Ou seja, mesmo sem o ‘momento do investimento’ já a economia tinha recuperado. A ideia que dá é a de que o conceito de ‘austeridade expansionista’ volta a pairar sobre a mesa do debate político. Dito de outro modo: 'a minha política estava a dar tão bons resultados e a percepção não era essa'.


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