segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Sobre a 'teoria dos três mundos', de Popper


Da Teoria dos três mundos, de Karl Popper

Detido sobre a vexata quaestio das relações corpo-mente - “trata-se do problema mais profundo e mais difícil da filosofia, o problema central da metafísica moderna” (Popper, 2001, p.42), Karl Popper, austríaco filósofo da ciência, interessado e motivado pelos fundamentos e metodologia das ciências naturais, pensador (contemporâneo) relativamente ao qual existe, hoje, consenso bastante face à solução, por si preconizada, de demarcação entre a verdadeira ciência e suas imitações, a saber, a apresentação, ou não, respectivamente, de teorias genuinamente falsificáveis (Blackburn, 2007) produziria, a 8 de Maio de 1972, em Mannheim (Alemanha), uma palestra, intitulada Notas de um realista sobre o problema corpo-mente (Popper, 2001), na qual apresentaria a sua singular compreensão do problema, expondo e explorando, detalhadamente, a teoria dos três mundos.
Subjacente à investigação sub judice o fundamental topoi da humana liberdade e, outrossim, da posição do homem no mundo físico.
De modo esquemático, procuremos, ab initio, delimitar os três mundos registados pelo filósofo de Viena: a) o “Mundo 1” corresponde ao cosmos/mundo físico; b) o “Mundo 2” é o do universo dos processos da consciência humana; c) o “Mundo 3” encontra-se nas criações objectivas, nos produtos, da mente humana; nas teorias (falsas, inclusive) (Popper, 2001, p.43). Concretizando, assinalar-se-ia filiarem-se, por exemplo, as obras literárias e artísticas, como as óperas e concertos de Mozart, no “Mundo 3”; ao “Mundo 2” pertencerem os processos de pensamento subjectivos; os acontecimentos ou os objectos físicos, como pedras, árvores, animais acharem-se no “Mundo 1” (Popper, 2001, p.44).


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