quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Sobre a 'teoria dos três mundos', de Popper (IV)


Neste contexto, Popper não quis – ignorava como – resolver a questão. O que pretendeu, ao invés, foi disponibilizar uma teoria original sobre o tema. Partiu da epistemologia que havia desenvolvido: os problemas e as tentativas de resolvê-los através de hipóteses, ou conjecturas precedem qualquer observação; a ênfase do filósofo no carácter teórico do conhecimento humano leva-o a acreditar que a nossa humanidade se encontra enraizada no “Mundo 3” (Popper, 2001, p.55). O excurso visou demonstrar que o “Mundo físico 1” se encontra aberto ao “Mundo 2” mental e que o “Mundo 2” se liga ou interage com o “Mundo 3”; que a autoconsciência humana é incompreensível sem a existência do “Mundo 3”. A autoconsciência encontra-se enraizada neste último (mundo). Geneticamente, o “Mundo 3” é tanto produto do “Mundo 2”, como o “Mundo 2” é produto do “Mundo 3”. Ou seja, “somos o produto dos nossos produtos, da civilização para a qual todos nós contribuímos” (Popper, 2001, p.55).


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