domingo, 23 de fevereiro de 2014

Vítor Gaspar (II)


No livro de entrevistas conduzido por Maria João Avillez, Vítor Gaspar – “agora um deus da minha área política”, na expressão de António Nogueira Leite, em entrevista à TSF, na noite da última sexta-feira – faz a selecção dos economistas que lê e em que se inspira: Milton Friedman, Friedrich Hayek, John Maynard Keynes, Joseph Schumpeter, Douglass North (p.98). Dos menos conhecidos, Knut Wicksell e Frank Ramsey.
Keynes, “escreve maravilhosamente bem. É um prazer lê-lo” (p.101). Talento que hoje parece reservado, apenas, segundo Gaspar, a Paul Krugman: “um artista da língua inglesa” (p.102).
Se, para os autores ‘social-democratas’, o elogio se centra em qualidades estéticas (de escrita), diferente é o caso de outros economistas evocados: “Friedman é o autor que, ao longo da sua carreira, possui um programa de investigação com mais afinidades com questões que me têm ocupado” (p.100) e é alguém por quem o ex-ministro das Finanças português tem “uma rasgada admiração” (p.101). Milton Friedman que, aliás, ficámos a saber através desta obra, chegou a discutir, por escrito, um artigo de Gaspar (escrito em co-autoria com Otmar Issing).
Hayek influenciou o entrevistado de Maria João Avillez por “razões substanciais e por afinidades de interesses, mas também porque, em alguns assuntos que são muito importantes para mim, a sua abordagem afigura-se-me exactamente a correcta” (p.99).
Em outro tipo de leituras, dado que o entrevistado lê mais “não-economistas do que economistas” e gosta bastante de ciência política, escolhe John Rawls, Karl Popper, Robert Nozick, Hannah Arendt, Isaiah Berlin, Immanuel Kant, Michael Walzer e Michel Foucault (nestas escolhas, maior equilíbrio…ideológico).
Para finalizar com humor, Gaspar diz ter notado que desde que passou por Portugal Paul Krugman é muito menos citado…por cá.


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