segunda-feira, 10 de março de 2014

I Guerra Mundial: aprendendo história


A Guerra que Acabou com a Paz



Aprendendo história com Margaret MacMillan:

Em 1900, as pessoas estão, finalmente, a sentir-se vinculadas a um país, a uma nação; não já, apenas, a uma aldeia, a uma cidade.
Um constrangimento do início do século XX: sem comunicações rápidas, a tensão entre nações, apanha Presidentes, Primeiros-ministros, ministros e quejandos em férias, algures em paradeiros mais ou menos desconhecidos, e a resolução (diplomática) de uma tensão torna-se bem mais difícil (tinham pensado neste aspecto, na sua, mesmo que não determinante, influência no eclodir da primeira guerra mundial?).
Um governante inglês é fluente, em termos verbais, porque na sua infância (séc.XIX) as suas opiniões eram escutadas, à mesa, o que, na Inglaterra vitoriana não era propriamente um hábito.
Nos oitocentos a religião ainda conta e muito.
Margaret MacMillan escreve frases curtas. O texto é vivo e incisivo. Como se pretende que a história se conte e explique não apenas pelas ideias prevalecentes numa época, a historiadora traça o perfil dos personagens que lhe deram corpo (Guilherme II retratado, sem clemência, como uma criança sem tino). E aí quer agarrar o leitor do século XXI, também pela ‘pequena história’, a pequena perversidade do chefe, o insólito nele, o ridículo, o risível.
Claro, a advertência pedagógica surge bem cedo: não pensemos, nem sintamos como pessoas de finais do século XX e início do século XXI, se queremos compreender o que motivava os homens e as mulheres dos finais do séc.XIX e início do séc. XX, mas procuremos, sempre, recusar o anacronismo e busquemos metermo-nos na cabeça das pessoas que viveram nos anos de 1914 (e naqueles que os precederam).
A qualidade literária é, igualmente, desiderato que não pode ser tido como de somenos: “rosnava ordens” (p.ex.).
Portugal não fica fora de texto. Logo, logo, a exposição de Paris. Mas, ainda, os Açores, ou as colónias e a sua repartição entre ingleses e alemães. E a queixa de Guilherme, sua eminência o Imperador, a sua avó, a rainha Vitória: tratam-nos, vocês ingleses, como se fossemos de um país como “Portugal, o Chile ou os patagões”.



Sem comentários:

Enviar um comentário