quarta-feira, 5 de março de 2014

I Guerra Mundial: como foi possível? (II)


Temos ainda de lembrar que, salvo uma ou duas excepções, [os líderes das nações que decidiram que existiria Guerra, em 1914] não tinham a menor ideia de para onde estavam a levar os seus países e o mundo. Nesse sentido, estavam em sintonia com o seu tempo; a maioria dos europeus pensava que uma guerra generalizada era impossível ou improvável ou estava destinada a acabar rapidamente. (…)

Uma coisa que se torna bem clara é que aqueles que fizeram tais escolhas tiveram em mente crises e momentos anteriores em que foram tomadas ou evitadas certas decisões [isto é, o passado, a história e, bem assim, o ressentimento jogaram aqui um papel; nomeadamente, a derrota da Rússia, na guerra de 1904-1905, com o Japão, jogou aqui um papel] (…)

O facto de crises anteriores graves entre as potências, por causa das colónias ou nos Balcãs, se terem resolvido pacificamente foi um outro factor que pesou nos cálculos feitos em 1914. Houvera uma ameaça de guerra, mas acabaram por ser impostas pressões por terceiras partes, feitas concessões e convocadas conferências que conseguiram resolver as questões perigosas. Os malabarismos políticos compensaram. E o mesmo se passaria certamente em 1914. (…)

A eclosão da guerra, em 1914, constituiu um choque, mas não surgiu inesperadamente. As nuvens negras tinham-se ido acumulando nas duas últimas décadas e muitos europeus tinham consciência disso e estavam apreensivos. Na literatura da época eram muito comuns as imagens de trovoadas que se aproximavam, de barragens a rebentar, de avalanches prontas a cair. (…)

Muito poucas coisas são inevitáveis na História. A Europa não tinha de entrar em guerra em 1914 (…)

A criação da Alemanha, em 1871, confrontou a Europa com a existência de uma nova grande potência no centro do continente. Seria a Alemanha o fulcro em torno do qual giraria o resto da Europa ou a ameaça contra a qual se uniria? (…)

Os militares (…) nos finais do século XIX (…) eram olhados como o elemento mais nobre da nação.

A ciência e a tecnologia que tantos benefícios tinham trazido à Humanidade do século XIX também trouxeram armas novas e mais terríveis.



Margaret MacMillan, A guerra que acabou com a paz, p.25-27.


Sem comentários:

Enviar um comentário