terça-feira, 11 de março de 2014

Memória





Sensivelmente, entre os minutos 25 e 40 deste debate, referente às legislativas de 2011, a questão da reestruturação da dívida foi tema central. Em rigor, em alguns momentos da discussão, pode dizer-se que os dois protagonistas, José Sócrates e Francisco Louçã, não tomaram o termo em análise e suas implicações - a reestruturação - de modo unívoco (Louçã chegou a tomar a expressão como sinónima de 'renegociação'; Sócrates remeteu, em permanência, para a dimensão 'técnica' do conceito). Por fim, o então líder do BE, confirma que entende que deve haver uma parte de 'perdão' da dívida portuguesa, com o ex-PM a considerar tal posição como 'trágica', um desastre para empresas e famílias, com 'falências e desemprego'.


Hoje, a notícia do manifesto - que só amanhã poderemos conhecer, verdadeiramente - que junta personalidades de diferentes áreas políticas, com vista a uma “reestruturação responsável da dívida” portuguesa é bem demonstrativa do inédito desta crise e de como as fronteiras direita/esquerda não serão, aqui, as que mais relevam, ou, se se preferir, que há consensos quanto a standards sociais que estão para lá de qualquer divisão ideológica, ou a enésima demonstração de que há várias direitas e várias esquerdas.
Alguns protagonistas, a começar nas europeias, não terão vida fácil, no posicionamento face a esta tomada de posição conjunta. A começar, provavelmente, em Francisco Assis.

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