quarta-feira, 9 de abril de 2014

Avaliar (III)





O que se esconde por detrás das nossas formas de avaliar (na escola)? Um conjunto de interpretações de Luiza Cortesão aqui recapituladas:

Em função das equações enunciadas, na abertura desta síntese reflexiva, diremos que a desocultação das concepções de escola – mesmo que não completamente consciencializadas ou teorizadas/desenvolvidas por cada avaliador – presentes nos docentes, e desveladas nas formas de avaliação a que recorrem, podem ser, apresentadas do seguinte modo:
i)Quando se privilegiam práticas de avaliação sumativa, e, nomeadamente, se recorre a escalas amplas (maxime, 0-20) é porque se pretende discriminar o grau com que os alunos alcançaram os objectivos propostos; ii) tal praxis releva de uma mundividência behaviorista, assentando em postulados como o da responsabilização dos alunos pelos seus resultados, dado que, oferecido, universalmente, o mesmo ensino, os mais talentosos, empenhados, organizados obterão as melhores notas (sendo que, nesta concepção, é entendido que uma das missões da escola é ensinar e, depois, seleccionar os mais aptos); não se questiona, em este posicionamento, o currículo, metodologia ou relação pedagógica como sendo susceptíveis de interferirem – com responsabilidades exógenas ao aluno, portanto – em uma classificação dada. A avaliação, no âmago da pauta axiológica indissociável deste entendimento acerca da escola, tem como escopo a justiça e a meritocracia.
Diversamente, sempre que escola, professores, sistema de ensino internalizam a existência de uma (sua) quota-parte de responsabilidades nos resultados dos alunos, assumirão a urgência de uma avaliação formativa (divisando pistas para melhoria dos diferentes actores na escola); recorrerão a escalas menos amplas, na avaliação (isto é, 1-5, na realidade portuguesa, evitando uma excessiva descriminação); importar-se-ão fundamentalmente, mais do que em ser imparciais e justos, em contribuir para o sucesso de todos os seus alunos e, bem assim, para o desenvolvimento das suas competências.
Atendendo a que os professores tendem a realizar diferentes tipos de avaliação - pelo que visões de tipo maniqueísta, absolutizando uma das formas de avaliar e recusando-se, sem mais, outra de sentido não completamente idêntico, fazem pouco sentido – a racionalização/consciencialização dos significados, nem sempre explícitos, ínsitos nos variados modos de avaliação será mister indispensável ao professor que queira participar criticamente no processo de educação (que lhe incumbe também).



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