segunda-feira, 7 de abril de 2014

Avaliar


Interrogações (que me são) muito úteis, nesta altura do ano.

Ensaio de uma síntese – para Formas de ensinar, formas de avaliar, de Luiza Cortesão

De que realidade(s) damos nota/registo quando procedemos à avaliação? Que tipo de avaliação (formas de avaliar) será mais apta a descrever o tipo de realidades que, com ela, pretendo assinalar? A avaliação pode ser concebida, exclusivamente, como retrato/fotografia que, de modo mais ou menos asséptico, pretendo fixar, face a um conjunto de - desempenhos de - subjectividades, num dado espaço-tempo? Ou esta, a avaliação, mais do que um fim em si mesma, mais do que neutra ou técnica, deverá ser um instrumento com o qual intento, em um plano coerente, complexo e articulado, contribuir para a melhoria do desempenho do avaliado? Que formas de avaliação melhor corresponderão ao desiderato correspondente à ideia de avaliação, mais, no caso escolar, à concepção de escola atinente a cada uma das (duas) interrogações precedentes? E, em particular, assomará à consciência dos docentes este radical, esta perspectiva crítica sobre o que a avaliação poderá ser, o que a esta subjaz e, nesse medida, agem (os professores) consequentemente na opção por um dado tipo de avaliação, ou combinação de (diversas) formas de avaliar, visando, ao fim e ao cabo, atingir uma dada teleologia que estabelecem como preferível (a assacar ao acto de avaliar) e participam, construtiva e densamente, no processo educativo?


Este importante acervo de indagações, colhidas a partir da leitura/reflexão do ensaio Formas de ensinar, formas de avaliar, de Luiza Cortesão, inserto na publicação Avaliação das aprendizagens – das concepções às práticas, parte de uma constatação que o texto sub judice de imediato identifica: a avaliação traduz a distância a que o avaliado ficou da meta definida como desejável. O resultado pode ser desvelado quer recorrendo-se a uma pauta numérica (entre nós, 1-5 ou 0-20), quer revestindo uma expressão qualitativa, comunicada oralmente, ou por escrito (“Muito bem”, “Parabéns”, “Conseguiste”, “Deves esforçar-te mais”, etc.). Ou, adicionalmente, com a atribuição de graus de aprovação (“Satisfaz”, “Muito Bom”, etc.). Estamos, aqui, em todo o caso, no domínio da avaliação sumativa.

(cont.)


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