quarta-feira, 23 de abril de 2014

Da escola portuguesa


O contraste entre a alimentação nas escolas públicas americanas e nas portuguesas dava, por si só, um livro.
Os almoços em qualquer escola portuguesa seriam, aos olhos de qualquer americano, comida gourmet. Na América, apesar de haver escolas que ainda possuem cozinhas, houve um ímpeto quase generalizado no sentido de entregar a confecção das refeições a um serviço privado de catering. O resultado foi desastroso. (...) Na verdade há sempre muitos pratos com os chamados cheese products, uma espécie de sucedâneos industriais de queijo, absolutamente repugnantes e provavelmente nocivos, mas que contam como fontes de proteínas (...) Por outro lado, volta e meia há um susto com carne de vaca contaminada com E-coli ou outra bactéria e suspende-se o uso de carne de vaca nos almoços escolares. O que não se faz é desistir para sempre da compra de carne picada em fábricas de processamento de carne de péssima reputação, onde o produto final, baratíssimo, resulta da mistura de carnes e gorduras de diferentes peças de animais, em condições deploráveis.

Mónica Leal da Silva, Diários de uma sala de aula, pp.314-315.



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