quarta-feira, 16 de abril de 2014

Da nossa escola. Retratos.




As melhores turmas, os melhores alunos encontram-se em áreas como as de Ciências e Tecnologias e de Estudos Socioeconómicos. Actualmente, só os alunos mesmo, mesmo muito vocacionados é que, desobedecendo aos desejos dos pais, seguem áreas como a de Letras e Humanidades. «Letras são tretas...Não dão emprego!», esta é uma frase vulgar entre encarregados de educação que vêem um futuro melhor para os seus educandos em áreas de carácter mais científico.

Catarina de Ataíde, professora de Português no ensino Secundário, Diários de uma sala de aula, p.75/76.


Já me aconteceu ir aos velhos dossiês, aqueles que guardo na garagem, desde os inícios da década de 1990, ver os materiais que usava antigamente, os testes que fazia nos meus primeiros anos de professora, as notas que atribuía e os trabalhos que exigia. Fico estupefacta com o que vejo, com os textos filosóficos que conseguia analisar com os alunos, com as monografias que faziam, com a exigência das perguntas que colocava. Em vez de ir subindo o nível, à medida que a experiência e os saberes foram sendo conquistados, opostamente, fui baixando o grau de dificuldade. Reconheço que mudei muito e que há anos que deixei de ser uma professora muito exigente.

Francisca Carreira Diego, professora de Filosofia no ensino Secundário, Diários de uma sala de aula, p.109.


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