sábado, 19 de abril de 2014

Das perguntas que subsistem


O diálogo entre Pilatos e a multidão/partidários de Barrabás/"gentalha" (uma das traduções possíveis), a escolha entre Jesus ou Barrabás, presente em Mateus, tem sido, nos que se abeiram de Jesus pelo método histórico-crítico, seriamente questionado, senão mesmo desacreditado. Gnilka entende que as situações de Barrabás e a de Jesus foram tratadas autonomamente (do ponto de vista judicial). Só mais tarde, e pelo texto evangélico, se juntariam. Sanders vê no dito diálogo uma forma de aproximação a Roma - beneficiando disso, Pilatos, que sai melhor do que era no retrato - e, simultaneamente, uma culpabilização dos judeus. Ratzinger, no II volume de Jesus de Nazaré, assumindo o procedimento de Barrabás e Jesus num único acto, regista a objecção, para lhe responder: a acusação da existência de "tendência filoromana" nos Evangelhos, em particular no processo de Jesus, seria contraditada, ou faria pouco sentido, em virtude dos factos históricos sucedidos na época em que os Evangelhos são redigidos. Concretizando, as perseguições de Nero já se tinham dado, mostrando a imensa crueldade do Império (p.155) (para com os cristãos). Todavia, assim não se responde, ainda, aos que vêem, precisamente, no medo resultante da existência de tal crueldade, a motivação última para a referida "tendência filoromana".


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