sexta-feira, 11 de abril de 2014

Incomensurável




Tomo nota, agradecido, da magnífica leitura de O rei Édipo, enquanto mito do abandono, pelo Prof. José Frazão (a partir de S.Labate) no seu belo Entre-tanto e voltou a questionar-me, tal como, por exemplo, fazia ao assistir à peça À espera de Godot e à visão crítica, de certa teologia, que dele emana, se a aposta cultural, a evangelização pela beleza, a exposição a textos determinantes da cultura ocidental, estão, desde logo, completamente assimilados, nos claustros formativos dos nossos futuros responsáveis eclesiais. Em realidade, concretizando, noto que conquanto, o filme, muito explicitamente, aborde a temática religiosa – um Habemus Papam [Nanni Moretti], mas, inclusivamente, um Grande Silêncio [Philip Groning] – a presença, no anfiteatro, de público vindo, especificamente, desse meio, se assim nos podemos expressar, é uma realidade. Já se, e quando, as questões últimas se recobrem de uma textura que as torna menos imediatamente reconhecíveis como tais, parece que já não dizem (directamente) respeito a esse mesmo segmento (receptor). A formação integral pode, também, passar por aqui, até porque a arte permite o despertar de cordas sensíveis que torna mais verosímil a (urgente) aproximação ao discurso poético como crítica a um entendimento da verdade assente no critério de verificação-adequação (P. Ricoeur).


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