domingo, 13 de abril de 2014

O regresso de Anfield Road




Grande joga, hoje, à hora de almoço.

Steven Gerrard, durante mais de uma década o mais rotativo e intenso dínamo do futebol mundial, juntamente com Frank Lampard – de tal maneira se impunham, simultaneamente, que, na dificuldade de optar por um de entre eles, sucessivos seleccionadores ingleses apostavam em ambos para o onze titular inglês…faltando, depois, a complementaridade de características que qualquer bom meio-campo reclama, como sempre recorda o Prof. Jesualdo -, é agora, quando a envergadura física já não é a arma de outrora, um 8 que passou a 6. Um 6 bom distribuidor de jogo, um passador, mais do que uma pulga em cima do adversário, um (primeiro) construtor (de jogo) mais do que um ladrão de bolas, um 6 pós-Makelele (para usar uma terminologia cara à quatroquatrodois).

Na frente, Daniel Sturridge deixou de ser um corredor mais ou menos inconsequente, com parcas qualidades ao nível da finta e do remate, e passou a uma temível seta apontada à baliza contrária. Em qualquer dos flancos, ou no meio, alternando, aliás, nas posições da frente, permanentemente, com Luís Suarez e Raheem Sterling – outro veloz e bem interessante avançado (preferencialmente extremo, mas capaz de também jogar ao meio), uma das boas surpresas da temporada, para mim – joga quer no espaço, quer com bola no pé, onde muito tem evoluído.

Do início da época até agora, a mudança, em muitos jogos da posição do grande goleador Suarez, do centro atacante para uma das alas, foi uma das estratégias utilizadas pelo Liverpool.

Um pouco à semelhança de Sturridge, quem o viu e quem o vê, se poderia falar de Glen Johnson, hoje um lateral confiante, ofensivo, que parte com perigo para cima da defesa adversária. Ao meio, o poderoso Mamadou Sakho – um portento físico superior a Mangala – faz dupla com o fiável e perigoso nas bolas paradas ofensivas Skrtel, em uma defesa que se completa com Flanagan à esquerda. Em caso de resultado positivo para o Liverpool e colocando a equipa contrária mais um ponta-de-lança (imagine-se, este Domingo, que a juntar a Dzeko e Aguero, Pellegrini introduz, a certa altura do encontro, Negredo), não raro Touré, ex-Arsenal, é requisitado para fechar os caminhos à guarda de Mignolet, um soberbo guarda-redes.

Henderson é o 8 indiscutível da equipa de Anfield que, jogando em 4x3x3, tende, consoante o rival em causa, a optar por um terceiro homem na linha média mais criativo e fantasista, mas menos pesado (fisicamente) – Philippe Coutinho -, ou, em uma versão mais pragmática, intensa e agressiva, mas com qualidade, Lucas Leiva (suponho que seja ele o titular frente a City e Chelsea).

Julgar-se-ia, olhando, inicialmente, para as características de Sterling e Sturridge, que o Liverpool seria uma equipa de puro contra-ataque, mas a verdade é que mescla muito bem as transições rápidas ofensivas, o futebol em profundidade pelos flancos, com um jogo mais pensado e interior. Forte nos livres directos frontais à entrada da área, com Suarez e Gerrard (marcador oficial de penalties da sua equipa; até ao momento só falho um, season 2013/2014) a serem um perigo potencial bem sério, têm, repita-se, em Skrtel um cabeceador temível em livre laterais e cantos.

Com bons jogadores, mas sem génios – a excepção ultra, em qualidade, é Suarez -, o mérito do futebol que os reds apresentaram-se assenta, em boa medida, em Brendan Rodgers, o técnico que, como o seu jogador mais valioso referiu em recente extensa entrevista, nota-se bem que passou pelo futebol holandês e espanhol, na sua proposta futebolística.

O City, que foi incapaz de um golpe de autoridade no Emirates, conseguirá sentenciar a liga em Anfield Road? Duvido muito. O racionalismo científico de Stamford Bridge espreita com convicção.




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