sábado, 12 de abril de 2014

SALMOS


Sempre que o salmista é liturgista por excelência, (re)tomando o ardor de uma dupla primeira pessoa (a voz da Voz) na rememoração do que nos fala, que sempre à memória me vem as palavras escritas por Eduardo Lourenço, há uns anos, numa colecção, da Três Sinais Editores, como prefácio, ou apresentação, dos Salmos: neles, reconhecemos "Aquele que fala na nossa fala"; "os salmistas têm [o sentimento profundo] de que são eles menos que interpelam Deus de que Deus fala neles. O enraizamento do ser na realidade divina é absoluto e sem essa convicção o canto não teria podido nascer". Nesta época do ano, em especial, a força desta voz atravessa-nos: escutemos. 
"Talvez seja este o rio mais profundo que corre sob os louvores e as súplicas ao Deus de Israel, um Deus inventando-se nestes cantos que o celebram [n]uma nova comunicação com os homens. Aquela que se chamará Amor e aqui é mais suposta que nomeada. A esse título, o conjunto dos Salmos são o grão de mostarda de onde crescerá até à altura dos céus o Reino de Deus sempre futuro".


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