segunda-feira, 12 de maio de 2014

A escola portuguesa e a mobilidade social (II)





"Quando se ajustam os desempenhos dos alunos por índice socioeconómico e cultural das famílias, Portugal surge como um dos países que apresentam, no PISA 2012, melhores resultados a Matemática, passando do 23º para o 5º registo mais elevado - atrás da Coreia do Sul, do Japão, da Suiça e da Polónia (OCDE, 2013a). A mesma tendência tinha já sido identificada no PISA 2009, neste caso, em relação à proficiência em Leitura".

in Estado Social. De todos, para todos, 2014, p.60.


Havendo, evidentemente, um grande caminho a percorrer (quando a escola estimulará, em definitivo, o espírito crítico, a curiosidade intelectual, a leitura de bons jornais, a ida ao teatro, ao cinema, a exposições, etc., etc., etc.?), podendo, p.ex., uma escola centrada nos testes PISA ser criticada, como veremos em próximo post, descrever-se a escola portuguesa, de modo monolítico, sem matizes nem complexidade, como uma catástrofe e para a qual/pela qual nada há a fazer é algo que não condiz com a realidade (e de um facilitismo e falta de estudo bastante notórios). O desempenho acima ilustrado é, aliás, particularmente significativo. É que, se "a alteração do perfil socioeconómico e cultural das famílias de origem dos alunos no PISA 2009 é, aliás, apontado como um dos factores que podem ter contribuído para a melhoria global dos resultados de Portugal", contudo, "mantendo as características dos estudantes e o contexto familiar constantes, ocorreu uma melhoria continuada das pontuações ao longo dos ciclos do PISA considerados, que pode ser atribuída ao sistema de ensino" (p.60). Atente-se: "a par da Polónia e da Itália, Portugal conseguiu, desde 2003, aumentar em todas as rondas deste estudo a porção dos que tiveram um mau desempenho nessa área de conhecimento (OCDE, 2013a)" (p.59).


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