domingo, 25 de maio de 2014

A final da Champions


Enquanto espero e me preparo para o jogo, a Marca dá-me a noção sociológica de uma Madrid completamente colada à final da Champions: a principal rede que possui os cinemas, na cidade, havia vendido, até à véspera do Atlético-Real um único bilhete para todos os filmes que coincidiam com a hora da final; a Telepizza esperava um incremento de vendas na ordem dos 30% na noite de ontem, mobilizando, praticamente, todos os trabalhadores; um noivo, que vai casar na tarde de Sábado, diz ao jornal desportivo de Madrid que mesmo familiares da futura mulher, pessoas com quem quase nunca esteve na vida, lhe enviaram sms a exigir tv na boda e passou o dia anterior a colocar antena no espaço onde a festa se realizaria.
No Colombo, há gente com camisolas do Real Bétis, do Depor, do Fluminense, do Fernebache, do Bayern, da selecção portuguesa, do benfica, da selecção do Brasil. Muitos cartazes, solicitam bilhetes (de última hora). No estádio, há ambientazo, sobretudo criado pelos colchoneros, mais sedentos da vitória. A expectativa é imensa. O jogo, por muita propaganda que se faça, é absolutamente medíocre. O conviva brasileiro que se senta ao meu lado, madridista, diz ao intervalo que não houve jogo, ponta de emoção. Com efeito, 45 minutos para um frango de Casillas e outro de Tiago, que Bale, pouco esclarecido na finalização, desperdiçou. À saída, encontro vários adeptos do Real Madrid e em nenhum encontro euforia, ou grandes sinais de uma enorme alegria. Dos rostos atléticos, nem falar. São, como dizem os espanhóis, um poema. Um grande evento, festivo nas bancadas, paupérrimo no campo (se exceptuarmos as investidas de Di Maria, ou o toque de Modric).


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