terça-feira, 13 de maio de 2014

A vida habitual


José Pacheco Pereira costuma dizer que o que ficou entre nós, portugueses, como espírito do 24 de Abril de 1974 foi um medo do confronto, de expressar, claramente, opinião, de ser contundente na disputa pública.
Ao assistir à Assembleia Municipal de Vila Real de 30 de Abril, bastante conturbada e emotiva para os nossos hábitos conservadores, e, depois, comparando-a com a descrição do jornal local sobre o que ali se passou, não posso deixar de concordar com a análise do historiador.
Intervenções que foram autênticos actos falhados, de uma impreparação de ir às lágrimas – mas, qualquer dia, surgindo os mesmos com aspirações a pastorear as almas do respectivo partido e, consequentemente, as demais criaturas do concelho; promessas cumpridas, ou incumpridas, em 6 meses e seu significado; questões fiscais; o cancioneiro de Pessoa; lirismo de fazer chorar o chão da calçada; democraticidade, ou ausência de densidade desta, na condução dos trabalhos; arrogância juvenil; comportamento de cada grupo parlamentar; extensão da ordem de trabalhos e implicação no estudo e boa decisão acerca das mais variadas matérias; legitimidade de nomeações, etc., etc., nada disto chega ao periódico local, nada disto é analisado e escrutinado, tudo isto é omitido (“discutiram-se 10 pontos da ordem de trabalhos”; e o que isto acrescenta ao que um cidadão já sabia?!), política quase nem vê-la e depois, naturalmente, há um voto muito maioritariamente pouco esclarecido. Como apreciar do mérito do trabalho de cada grupo parlamentar se o que se passa no grande fórum de discussão das políticas locais não chega à grande maioria de uma população que, em muitos casos, não tem possibilidades de aceder às transmissões da UTADTV?


Sem comentários:

Enviar um comentário