terça-feira, 27 de maio de 2014

Com toda a lógica




Se António Costa perder as eleições internas do PS, que lhe pode acontecer politicamente? Provavelmente, a obrigação moral de substituir António José Seguro, no PS, caso este perca as legislativas de 2015 (e aí, ironicamente, Costa ficaria com o mais indesejado dos encargos, a que se furtou até, de liderar a oposição em início de mandato de um governo; se bem que agora seria um…reinício, longe de qualquer estado de graça). Fora isso, as feridas internas que agora abrirá, não terão grandes custos: se António Guterres avançar para as presidenciais, cenário que ganhou consistência nas últimas semanas com a declaração feita pelo ex-PM para o livro sobre Jorge Coelho, essa vaga só abrirá a António Costa dentro de 10 anos, altura em que já ninguém se lembrará das guerrinhas que agora, inevitavelmente, surgirão. E mesmo a Presidência da República será último recurso para quem sempre considerou (sobre si próprio) ter um perfil executivo.
Diferentemente, o avanço, há um ano, significaria, em caso de derrota, um sério revés, a meses das eleições autárquicas, abrindo todo o flanco para, inclusive, a Câmara de Lisboa (onde, hoje, está já Fernando Medina) poder perigar (para si). E, em tal sucedendo, toda a aura, à sua volta, poder esvair-se (num instante). Costa, em um primeiro momento, naquela altura, pareceu alimentar um tabu – que agora, e bem, aprendendo com aquele erro, afastou de imediato - que daria força a um sebastianismo em seu redor; mas, depois, exagerou e ziguezagueou até evitar, quando tudo parecia indicar uma perda face a Seguro e seu aparelho, uma queda com estrondo, no último segundo.
Neste momento, após um magro resultado do PS nas europeias e de sondagens – mesmo com as limitações técnicas, reduzidas a entrevistas telefónicas, ainda que em número substancial, que possam ter – para as legislativas a darem um empate (técnico) entre socialistas e coligação de direita, com Seguro acossado por grande parte da imprensa e vários comentadores, sem nada de muito substancial a perder, António Costa pode, mesmo, falar na questão de consciência para avançar – porque, efectivamente, a manterem-se as coisas como estão, o “empastelamento” político (a nova versão semântico do “pântano”) de que falou Domingo à noite, na televisão, será uma realidade. Constituindo-se, portanto, para lá das questões pessoais/tácticas, como um factor de esperança – note-se como na entrevista recentemente dada ao I alguém como Vasco Pulido Valente dizia que caso Costa avançasse votaria nele -, Costa terá, por certo, enormes dificuldades em replicar no partido resultados que, creio, teria no país. Aliás, mesmo personagens que há um ano chegaram consigo ao momento definidor quanto ao seu possível avanço para a liderança do PS – recordem-se as imagens dessa noite e assinale-se onde, então, se encontra Assis, mesmo que este, então, se tenha constituído como elemento de unidade interna -, podem, nesta altura, não garantir o apoio.
Seja como for, abrindo, claramente, as portas para uma futura candidatura, nas participações semanais na Quadratura do círculo; alimentando o sebastianismo socialista em torno da sua figura quando há um ano se colocou a questão da liderança…mas evitando, in extremis, o desastre; surge, agora, em definitivo, e com pouco a perder, e sendo, ademais, motivo de esperança num espectro político que supera o PS, a lógica candidatura de António Costa à liderança do PS e do Governo de Portugal.


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