sexta-feira, 30 de maio de 2014

Da hipótese federal




Na passada segunda-feira, em Olhos nos olhos com João Ferreira do Amaral, Medina Carreira recusou o federalismo europeu com base nas divergências e inimizades (presentes e/ou históricas) entre nações. E, no entanto, se olharmos à experiência histórica federal norte-americana, percebe-se que as diferenças/divergências entre estados (da futura federação) não impediu a (completa) integração política:


Em 1787, os EUA poderiam ter enveredado por um sistema internacional. Os fios que uniam as treze antigas colónias britânicas no Novo Mundo estavam mais frágeis do que nunca (…) Na Europa, por falta de conhecimento histórico, julga-se que os EUA eram muito homogéneos e que, por isso, o caminho do federalismo foi fácil de trilhar. Nada mais errado. Os EUA estavam divididos numa policromia cultural, linguística e económica muito acentuada. Desaparecido o factor negativo externo, o imperialismo de Londres, muitos americanos inclinavam-se para a separação das ex-colónias em várias secções regionais, de acordo com afinidades e diferenças. Dois factores destacavam-se alimentando as forças centrífugas: uma querela em torno das dívidas de guerra (com muitos aspectos semelhantes à actual «dívida soberana europeia»); e as diferenças profundas, até de mentalidade, entre o Norte, urbano e livre, e o Sul, rural e esclavagista.

Viriato Soromenho-Marques, Portugal na queda da Europa, pp.197-198.


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