sexta-feira, 30 de maio de 2014

De novo, a importância da linguagem


Um ponto uniu, esta semana, as análises políticas de Marinho Pinto (no Prós e Contras, na RTP), politólogos italianos convocados por Jorge Almeida Fernandes (no Público, para explicar o extraordinário resultado de Renzi) e de Manuel Maria Carrilho, no DN, em conselho a António José Seguro: a importância da linguagem. A mudança nesta, face à utilizada pelos seus antecessores na social-democracia italiana, teria sido, no entender de reputados comentadores políticos italianos, determinante na vitória do PM italiano (também nas europeias); para Carrilho, é necessário ser inventivo, neste âmbito, chegando de modo novo, aos eleitores (um dos três factores, de resto, que, no seu artigo desta quinta-feira, identifica como essenciais a uma mudança necessária no líder do seu partido…do qual se intui que está mais próximo…do que de António Costa); Marinho Pinto sublinhando o artificialismo, a repetição amorfa de uma certa linguagem que se torna inaudível e pouco credível aos ouvidos dos eleitores. Com efeito, este artificialismo oferece uma sensação de uma certa indiferença e ausência de um módico de convicção em quem está a utilizar tal língua de pau, percepcionando-se, desta sorte, em quem a utiliza, um situar-se longínquo face aos interesses dos seus representados. A linguagem pode ser muito fechada, chegando a poucos. Pode ser muito ideológica e chegar só a uma dada base de apoio. Pode ser asséptica, numa lógica catch-all, e perder-se uma parte da base de apoio sem, talvez, se ganhar demasiado na área política oposta. Sem nomeação, as realidades (políticas) ficam sob um manto de invisibilidade. Com a linguagem procura passar-se ideias, emoções, qualidades do orador/político. A linguagem contém sempre um mundo, é um mundo, com o qual, em certas ocasiões, a maioria do eleitorado se reconhece.


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