quinta-feira, 22 de maio de 2014

Debates constituintes europeus: entre o Leviatã e o Behemoth




Basta observar a capa da primeira edição do Leviatã (1651), onde se julga que Hobbes teve alguma intervenção para verificar que o Leviatã é o animal que expressa a bondade do Estado (...) O Behemoth, pelo contrário, representa a monstruosa ebulição de uma sociedade onde a lei e a ordem se desagregam (...) Na verdade, em Behemoth o que interessa, tal como em Leviatã, é a compreensão dos princípios dinâmicos que permitem pensar a complexidade da experiência política num plano superior. Fundamental e teórico. Em Behemoth, Hobbes mostra os desastres a que conduz uma sociedade onde a multiplicidade não se consegue harmonizar em instituições capazes de construírem decisões comuns. Uma sociedade onde a soberania permanece fragmentada, com cada parte em luta com todas as outras.

Viriato Soromenho-Marques, Portugal na queda da Europa, Temas e Debates, pp.188-189.


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