sábado, 24 de maio de 2014

Inquéritos ideológicos





Ouço Pedro Mexia, no Governo Sombra (23/05/14), falar em testes que, em determinados sites, se oferecem ao cidadão que se queira perceber (auto-percepcionar/compreender) ideologicamente (referiu-se, especificamente, às questões europeias). Por vezes, os jornais e newsmagazine, também os oferecem aos leitores. Se esquecermos o lado europeu da coisa, se olvidarmos as questões mais afastadas do comum dos mortais mesmo interessado no fenómeno político (que podem promover hesitações ou balançar a resposta), diria que, para alguém politizado, com uma dada consciência/identidade política, colocar-se perante um jogo em que as perguntas remetem para uma dada simbologia, um significado que (o respondente) não desconhece, dificilmente se conceberá como um exercício verdadeiramente genuíno. O questionário arrisca-se a ser uma profecia que se cumpre a si mesmo. Se me sinto identificado com a ideologia X; se esta faz parte, portanto, da minha identidade; se sei o que se espera que alguém com a ideologia X responda à pergunta Y; se pretendo evitar qualquer tipo de esquizofrenia política e compreender-me como rigorosamente coerente no interior de um campo político muito delimitado, pode suceder que responda com uma uniformidade/homogeneidade que não apenas não existe no tipo não politizado que responde ao mesmo inquérito ao meu lado, como, na verdade, não existe, em regra, creio, em qualquer indivíduo. 


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