quinta-feira, 29 de maio de 2014

O balanço de Assis


O ponto mais relevante da entrevista de Francisco Assis, esta noite, na RTPInformação prende-se com a sua afirmação de que a Europa pode estar à beira da ruptura. Nem a comoção pública/mediática com a disponibilidade manifestada por António Costa para liderar o PS, nos deve fazer afastar, por estes dias, do essencial/mais importante e isso passa, sem dúvida, pelos próximos passos, nada auspiciosos de acordo com os resultados de reforço nacionalista do último Domingo, que se deem em sede europeia.
Um outro aspecto muito relevante do que Assis disse esta noite refere-se à ausência de uma única questão, colocada por jornalistas portugueses, sobre matéria europeia, a Jean Claude-Juncker e, bem assim, o avanço de uma única interrogação a Martin Schulz a quando da recentíssima passagem, de ambos, por Portugal. Dentro da desgraça que foi a última campanha eleitoral, o mau papel de boa parte dos media portugueses não é de somenos. Na RTP, Vítor Gonçalves faz mea culpa (jornalístico), mas é necessário passar à prática esse entendimento de uma cobertura interessada nos modos preferidos de cozinhar bacalhau por Paulo Portas (essa, sim, foi pergunta que os jornalistas entenderam interessante fazer ao líder do CDS, na campanha para as europeias, e passar em jornais de campanha).
Por outra parte, assacar uma má vontade à imprensa, relativamente a - uma eventual diminuição/preconceito da figura de - António José Seguro, não parece, em Assis, curial: foi o próprio a introduzir, na campanha interna do PS, o tópico da forma mentis (face à sua – de Assis – maior elaboração, Seguro preferia muito afecto, sentimento, algo que, garantia o ex-edil de Amarante, não era, propriamente, o mais relevante em política). Quando essa diferença pessoal foi sublinhada, não se tratava, pois, também, de uma grande diferença ideológica ou programática – que reclama agora para novo embate interno – entre os dois homens que disputavam a liderança do PS. Claro que Francisco Assis pode ter mudado de opinião relativamente a António José Seguro. Nada de anormal no facto. Saliente-se é que essa mudança se deu nos últimos 12 meses, já que, como esta noite confirmou, tivesse avançado, em última instância, António Costa para a liderança do PS, há um ano, teria tido o seu apoio. Embora, na altura “não fosse o momento mais oportuno”. Pelos vistos, nunca é – oportuno.


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