segunda-feira, 26 de maio de 2014

O professor e o currículo (IV)


Apontamentos, texto-síntese sobre Planeamento e concepção de ensinar, de Teresa Leite


5.Encontramo-nos, em realidade, em um tempo em que a assumpção do princípio da subsidiariedade e, portanto, da consequente autonomia (alargada) de escolas e professores – ainda que estes devam assumir uma interdependência e colaboração interpares ainda mais estreita - veem sendo incorporadas no nosso sistema educativo, não sem dificuldades e deficiências dado o (novo) paradigma contrariar um outro, muito centralista/centralizador, em que a tarefa do professor era (simplesmente) executar, sem o alargamento de funções que hoje conhece (gestor e decisor de currículos, o professor hodierno). Tal verifica-se, em particular, como vimos sublinhando e para o que aqui nos importa, desde logo, ao nível do currículo – isto é, o “conjunto de aprendizagens consideradas necessárias num dado contexto e tempo e à organização e sequência adoptadas para o concretizar ou desenvolver. Esse conjunto de aprendizagens não resulta da soma de partes. O que transforma um conjunto de aprendizagens em currículo é a sua finalização, intencionalidade, estruturação coerente e sequência organizadora. Sendo cada vez menos prescritivo e crescentemente reconstrutivo, o currículo funciona todavia como um marco de referência teórico comum a um certo conjunto de situações” (Roldão, 1999). Há, em suma, aqui delineada, uma visão outra da profissionalidade, no nosso país.


6. Se o currículo é o referido “conjunto de aprendizagens”, já os programas são “instrumentos do currículo” e, desta maneira, enquanto “instrumentos”, ao serviço de determinada teleologia, podendo, por conseguinte, ser reversíveis e reconvertíveis; mutáveis, contextuais (não são fins em si mesmos).


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