quarta-feira, 21 de maio de 2014

O que o acordo transatlântico pode significar


Segundo José Manuel Félix Ribeiro, em A economia de uma nação rebelde, o acordo transatlântico, com proposta de dupla parceria, comercial e de investimento, acompanhado de “garantia de fornecimento energético”, feita pelos EUA à Europa, gerando “uma maior integração financeira, económica e comercial”(p.161), visa evitar uma “deriva euro-asiática dos aliados europeus” (p.185) – isto, quando “a China, num processo de crescente distanciamento e competição com os EUA, está interessada em reduzir a importância mundial do dólar. Para já, tal pode significar ajudar a Alemanha a consolidar a zona euro, aplicando parte mais significativa das suas reservas cambiais (aliás em diminuição) na aquisição de obrigações emitidas pelas agências da União Europeia” (p.185), em uma “reformatação” da qual resultaria, nomeadamente, “uma Europa financeiramente apoiada na China, economicamente dialogante com os EUA” (p.186). Com os EUA a reduzir despesas com a defesa e as suas tropas a saírem do centro da Europa (Alemanha) e sucedendo o mesmo com os militares de Reino Unido e Holanda, “a Alemanha vai ter a sua grande oportunidade de federar parte da Europa propondo uma defesa europeia à França e Polónia. E nesta base propor uma grande negociação em termos de segurança europeia à Rússia” (p.185).
Em uma apreciação ao que este acordo transatlântico poderia significar, o autor escreve que “este conjunto de movimentos poderia fornecer aos Estados-membros das duas parcerias maior influência no desenho do quadro regulamentar do sistema financeiro, uma melhor coordenação de respostas a eventuais crises financeiras e mesmo envolver uma maior coordenação monetária entre o dólar, o euro, a libra e o iene” (p.161).


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