terça-feira, 20 de maio de 2014

O vazio mais absoluto gera a naúsea


A interpretação que Manuel Alegre fez das palavras de Paulo Rangel, acerca do "vírus socialista", não cabe na cabeça de ninguém. As analogias que remetem, permanentemente, (os adversários) para o nazismo ou fascismo banalizam o que não deviam banalizar, mostram ausência de argumentos, não têm eficácia e costumam produzir, ao invés, um efeito boomerang no atirador. Que Manuel Alegre, com tantos anos de experiência política, não se aperceba disto é, no mínimo, estranho. 
Quando a campanha não tem nada para dizer aos eleitores, busca-se na declaração extremista um foco de atenção que os discursos, de um lado e do outro, de facto, não merecem. Quando a suposta - também por nós - ala "mais intelectual" de dois partidos como PSD e PS - com Paulo Rangel e Francisco Assis - não concebe o mínimo esforço para uma argumentação séria e minimamente densa sobre o futuro institucional da UE, a harmonização fiscal, o salto federal, as condições de mutualização da dívida, o tratado de comércio com os EUA, a renegociação da dívida portuguesa, o futuro do euro, as relações e parcerias com outras regiões mundiais, a questão energética, etc., etc., etc., transforma-se a campanha num conjunto de casos sem o menor assunto ou interesse. Em ambos os lados procurou-se, recorrendo-se, não raramente, a um discurso completamente básico, segurar o eleitorado próprio (ortodoxia total de 'narrativa'). No jornal de campanha de uma rádio que esta tarde segui, Paulo Portas falou das diferentes formas como gosta de ver cozinhado o bacalhau. Entre a trica sem sentido e o fait-divers mais irrelevante. Pior, era difícil.


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