quarta-feira, 28 de maio de 2014

Os dados estão lançados




Achei curiosa a fórmula encontrada por Augusto Santos Silva, esta noite, na TVI24, para definir a sua posição relativamente à disputa interna em curso: apoiarei qualquer plataforma, disse, que permita que António Costa seja candidato a PM.
Durante anos, foi no PSD que se teorizou e discutiu a possibilidade do ticket: um presidente do partido + um candidato a PM. Serem duas pessoas distintas a protagonizarem essas duas funções. Medindo cada palavra, em todas as intervenções, Santos Silva insinuou, assim, de algum modo, essa possibilidade – talvez o modo mais sensível possível de tratar António José Seguro (reconhecendo-lhe, implicitamente, a capacidade de direcção do PS). De qualquer modo, e na prática, não parece nada plausível, até dadas as circunstâncias, que esse constructo teórico tenha alguma hipótese de se acomodar na realidade – quem chegar às eleições de 2015 como secretário-geral do PS será, certamente, também, candidato a PM.
Já capacidade operativa terá a leitura do ex-ministro socialista quanto ao facto de sentido não fazer a mobilização de barreiras administrativas/estatutárias para o adiamento do que é inevitável, isto é, as eleições internas no partido socialista – no que, aliás, se revelaria contraproducente, julgo, para a actual liderança do PS, exibindo, então, nova fragilidade.


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