sábado, 10 de maio de 2014

Perderam a fórmula




Há muito que deixei de me interessar pela Fórmula1 – uma das tais tradições recebidas em família, os Domingos colados à TV seguindo, calorosamente, cada corrida, que depois da infância/adolescência se vão, sem deixarem excessivas saudades, ainda que alguns sorrisos (um belo prego no pão, feito na brasa, para seguir um Grande Prémio do Japão, com três apaixonados a levantarem-se às 4h da manhã, lá por casa, p.ex.). Aliás, nada percebo de automóveis, nunca converso sobre carros, cilindradas, cavalos, marcas, terminações e quejandos. Torci, seguindo o legado caseiro, por Senna e, mais tarde, por inércia, continuei a ver quem batia Schumacher, cujas atitudes francamente me desgostavam. As corridas decididas, poucos anos depois, à segunda volta, completamente aborrecidas…até a um enfado definitivo. Desisti.
Ocorreu-me isto, ao ouvir, na Cadena Ser, anteontem, o director da prova do GP da Catalunha. Surpreendeu-me, e essa parte interessa-me, o retorno financeiro para a região, ou, sobretudo, para a cidade de Barcelona que, segundo tal dirigente, se cifrou, há um ano, em 192 milhões de euros. Fiquei a saber que, entretanto, esta é a única prova em território espanhol (embora muitos catalães não concordem, certamente, que escreva isto deste modo…), dado a cidade de Valência, com a crise, ter desistido de participar no grande circo – como é conhecida a F1 – mundial (ou o retorno tem que ver, especificamente, com a região/cidade onde se disputa a corrida, ou a gestão, publicidade, marketing são mais eficientes em uns lados do que noutros…).
Igualmente devido à crise a Catalunha hesitou em manter-se no calendário da alta velocidade, mas o retorno justifica mesmo, pelos vistos, a aposta. A verdade é que o circuito baixou muito as assistências na última meia dúzia, ou meia dezena, de anos, não se prevendo que todos os lugares sejam ocupados, na prova a realizar este fim-de-semana. Dado bem curioso é que mais de metade dos espectadores in loco, no GP da Catalunha, dos últimos anos, vem de fora de Espanha (tais clientes é que serão os responsáveis pelo tal retorno económico-financeiro). Diz o director da prova que também a deserção espanhola das bancadas se deve à crise. Mas qual crise? Se o decréscimo de espectadores remonta há 5/6 anos, as razões devem ser procuradas algures em outro lado (que não na crise que explodiria em Espanha já em data posterior a essa). Suspeito que haja mais ex-adeptos de F1 como eu, a quem nem o suposto fim da crise levará, de novo, às pistas, ou aos ecrãs da modalidade.


Sem comentários:

Enviar um comentário